Primeiras Impressões – Parkitect

Esta possivelmente é a milésima vez que falo como eu sou péssimo em gerenciar qualquer coisa. Sinceramente, não sei nem como o site está no ar ainda. Ao menos em Parkitect eu posso disfarçar a minha ineficácia com a ilusão de apenas algum bug. O game desenvolvido pela Texel Raptor está disponível no acesso antecipado do Steam por R$ 33,99.

Não há como negar a quase que completa influência de Rollercoaster Tycoon em Parkitect. Dos menus, interface, sistema de criação de montanhas-russas, gerenciamentos de funcionários, etc. No momento é quase como que uma versão ampliada do clássico de Chris Sawyer, inclusive na parte do carisma.

Parkitect traz consigo algumas inovações, como modularidade na criação de objetos — como por exemplo poder criar uma casa a partir de paredes ou algumas construções loucas — a fácil exportação de objetos e criação de mods.

Mas, como toda primeira impressão que se preze, optei por deixar a parte de mods por último. No momento só o modo sandbox está implementado. Algo esperado pois certas ferramentas ainda estão previstas para serem lançadas.

Para o perfeccionista, aquele que quer ter o parque perfeito, já é um sandbox de respeito. Me impressionou a facilidade de usabilidade de certas funcionalidades e principalmente de visualização gráfica. Sabe o que amo mais no mundo? Gráficos, dados, relatórios de desempenho (apesar de ficar muito longe disso na minha área profissional). Parkitect já oferece tudo isso. Áreas onde a rentabilidade é maior, áreas onde os brinquedos são mais usados, etc.

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Pena que em sua boa parte apenas serve no momento para fins estéticos. Não importava se eu passasse horas desenvolvendo a minha montanha russa — algo que eu também sou terrível — se boa parte dos visitantes preferia ir em um pula-pula ou em um carrossel. Talvez a minha habilidade como criador de montanha russas não é tão boa quanto imagino mesmo.

Algumas coisas, como entrega de produtos, por exemplo, ainda estão mal explicadas. Minhas lojas ficaram por muito tempo sem estoque até perceber que tinha de delimitar uma zona de trabalho para os meus entregadores. Em parte, te dá mais controle sobre o parque, por outra, um instrumento que ainda não tenho certeza se tem alguma real funcionalidade quanto ao retorno provido por ele.

Claro que, por ser um game no acesso antecipado bugs provavelmente  aparecer, mas surpreendentemente são raros. O maior caso que tive foi com Adam, o meu mecânico. Não questione o motivo de ele ser chamado Adam, foi o nome dado ao jogo.

Um belo momento a Montanha Russa “Montanha Russa Feliz” (não ouse falar mal do nome, ok?), criada com muito esforço e “criatividade” teve seu funcionamento interrompido por uma falha mecânica. O que Adam decide fazer? Sentar em um banco.

Arrastei o mecânico até a montanha russa na esperança de que ele faria seu trabalho. Novamente voltou para o banco. Talvez seja uma metáfora sobre a revolta do proletariado sobre a classe dominante, ou as vezes só um bug mesmo. Uma hora ou outra a montanha russa voltou a funcionar.

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Hora vinha hora ia, sentia como se fizesse mais do mesmo. Coloca uma plantinha ali, dá uma mudada no estilo de uma pracinha. Move um banheiro de lugar. Não existe no momento uma ferramenta que te prenda ao jogo além de “faça algo legal”. As vezes isso não é o suficiente.

Após jogar algumas horas, aproveitei para dar uma olhada no Parkitect Nexus, algo como uma central de mods feitos pela comunidade que funciona de maneira paralela ao Steam Workshop. Sem mesmo instalar um já estava embasbacado com a quantidade disponível. Câmeras novas, estruturas, carrinhos. Ficaria aqui duas páginas listando o que vi de impressionante lá. Mas, novamente, era boa parte para embelezar o parque e não me dar uma motivação para seguir em frente com meu projeto.

À medida que o parque cresce, alguns problemas de desempenho aparecem, algo comum com jogos desenvolvidos em Unity e ainda no acesso antecipado. É o suficiente para irritar? Não, mas tenha em mente que no momento que criar um parque megalomaníaco com montanhas russas que giram mais do que um pião, a taxa de quadros pode ter uma queda brusca.

Na corrida “armamentista” dos gerenciadores de montanha russa — Parkitect, Rollercoaster Tycoon World e Planet Coaster — o game da Texel Raptor infelizmente fica em último no quesito inovação. Mas, há algo de nostálgico, de encontrar um amigo que você não vê há anos e passar um tempo com ele. No momento não há muito para considerar quando o assunto é desafio, mas a desenvolvedora promete que isso vai mudar nas próximas atualizações.

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Para aqueles que querem tentar criar o parque mais bonito do mundo, adicionar alguns mods — como um templo Maia — no meio de seu parque de diversões, é um prato cheio. Não é algo que pessoalmente me agrada, porém sei que muitos amam este aspecto de maximizar e desenvolver um parque ao seu estilo. Nisto, Parkitect já acerta em cheio.

Como todo título no acesso antecipado do Steam, eu recomendo cautela. Podem existir momentos onde atualizações demoram para sair ou a equipe de desenvolvimento não responde a comunidade com frequência. Esta preocupação não foi tão grande com Parkitect, que via cada vez mais mods e atualizações serem lançadas.

Se você não se importa com uma pequena falta de conteúdo no jogo base e quer criar um parque de diversões bonito, vá em frente. Gaste horas ao ajustar o terreno, criar passarelas, rios, tudo para aproveitar o máximo de terreno disponível. Enquanto isso eu fico aqui na tentativa de descobrir como fazer meu parque não parecer a aberração que está atualmente.

Este foi feita com base em uma cópia para PC fornecida pela Texel Raptor

Primeiras Impressões – Parkitect

About The Author
- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.