“Bravery And Greed” é ótimo seja em coop ou solo

Todo jogo que se autodenomina ou dá uma certa preferência para modos coop me deixam com o pé atrás. Eu raramente tenho com quem jogar, e as pessoas que eu conheço estão em fuso horários diferentes do meu. Foi nessa hesitação que eu ainda assim decidi pegar “Bravery And Greed” (Steam), publicado em 15 de novembro via Steam. Não é que o danado é bom independente do modo de jogo?

Eu sequer cogitava escrever sobre ele, mas depois do incrível feito da Rekka Games em saber quando deixar o jogo fácil ou difícil para a quantidade certa de jogadores merece mais atenção do que ele está recebendo.

A premissa de “Bravery And Greed” é perfeita para um Hack ‘n Slash: explore calabouços, cavernas e outras áreas em busca de dinheiro e tente não morrer no processo. Há pitadas de história aqui e acolá sobre “recuperar os cristais”, mas eu não prestei a menor atenção.

Esse claramente não é o foco do jogo e, mesmo se fosse, eu estava em busca de um jogo para “desligar o cérebro e bater em inimigos” e não uma reflexão filosófica sobre a natureza humana em um mundo de fantasia. Como “Bravery And Greed” não veio com nenhum discurso, eu pulei direto para o modo aventura com a classe rogue para ver como eu ia me sair jogando sozinho.

Eu já fiquei surpreso de cara com as mecânicas. Um sistema de combos bem elaborado com dezenas de combinações, uma boa dose de exploração – embora eu preferiria que “Bravery And Greed” dobrasse a quantidade de salas, ou ao menos tornasse-as mais variadas – e inimigos brutais. Cheguei no primeiro chefão e fui trucidado por ele.

Bravery And Greed
Uma das poucas imagens que eu consegui tirar onde a tela não está recheada de inimigos. Pode se preparar para morrer bastante em “Bravery And Greed”.

“Mas Lucas, você não começou dizendo que o jogo é ótimo tanto em modo coop ou solo?”. Claro que disse e mantenho a minha afirmação. “Bravery And Greed” é brutal na medida certa. Os monstros não têm barras de vida enormes como em “Dragon Marked for Death” que me forçaram a “grindar” para obter níveis, e mesmo que eu tenha morrido, eu progredi nas suas mecânicas “roguelite”.

Sim, “Bravery And Greed” possui elementos de um roguelite mas, outra vez, bem do estilo que eu gosto. Investir pontos para aumentar sua vida ou ataque? Pff, nada disso, você libera novos itens e equipamentos que podem ser encontrados nas Dungeons, e cartas de tarô que podem ser usadas para facilitar ou dificultar o jogo.

Eu juro que essa tela faz sentido quando você está jogando “Bravery And Greed”.

Eu dou uma ênfase adicional nas cartas de tarô, pois acredito que jogos voltados para coop que eventualmente podem ou precisam ser jogados em modo solo devem ter mais desses sistemas incluídos. As cartas não são nada mais do que “modificadores” que podem aumentar o dano do inimigo e o seu dano, mas te dar mais dinheiro — que, quando contabilizado no final da “run” desbloqueia novos itens. Outras são voltadas para equipes que querem um desafio extra e ao invés de cada jogador ter uma barra de vida, todos compartilham a mesma barra de vida.

Mesmo tendo morrido para o primeiro chefão, eu ativei a carta que aumentava meu dano e tive partidas maravilhosas ao ponto de lamentar que eu não tenha tirado sequer uma imagem da tensão que foi chegar na terceira área de “Bravery And Greed” sem poções e com menos da metade da barra de vida.

Bravery And Greed
Itens de montão para você desbloquerar, seja sozinho — no meu caso — ou com até outras três pessoas em modo local ou online.

“Bravery And Greed” também respeita muito bem o meu tempo com uma opção de salvar durante uma run, o que mais roguelites precisam ter (e até mesmo roguelikes tradicionais) e a inclusão de seguidores como um método de “compensar” a ausência de outros jogadores.

Estes seguidores, sejam eles lobos, arqueiros ou outros tipos de personagens, são encontrados nas dungeons e te dão uma “mãozinha” para derrotar os inimigos. Notei que eles apareciam muito mais quando eu jogava sozinho do que as minhas pouquíssimas partidas em modo coop. Sei que nem todos os desenvolvedores podem — seja pelo design das fases ou das missões — ou não querem incluir tal sistema, mas se “Deep Rock Galactic” e “Bravery And Greed” me provaram algo, é que eu prefiro jogar com um ou dois personagens controlados pela IA do que uma equipe de bots que não são capazes de sequer abrir uma porta.

Eu só não considero este artigo uma “crítica” completa, pois ainda não terminei “Bravery And Greed” e muito menos testei as outras classes. O meu afinco por jogar com rogues pode ser um dos motivos disto, peço desculpas desde já. Mas, se você quer um jogo onde você pode “desligar o cérebro” e ainda assim ter uma boa experiência, já deixo aqui registrado a minha recomendação.

“Bravery And Greed” é ótimo seja em coop ou solo

About The Author
- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.