Análise – Total War: Warhammer II – The Shadow & The Blade

Tenho a tendência de iniciar uma análise de um DLC para Total War: Warhammer II parabenizando a Creative Assembly por mais uma vez expandir ou revigorar a campanha do game. Por ironia do destino, esse não vai ser o caso com The Shadow & The Blade (Steam). O fato vem de que o conflito entre os lordes trazidos pelo DLC tem menos impacto do que o que está ao seu entorno.

Parte disso está ligada à repaginação que os Skavens receberam com The Prophet & The Warlock. Underhives – estruturas que podem ser construídas debaixo de cidades – e as bizarras máquinas de Ikit Claw são mais interessantes do que as artimanhas políticas de Deathmaster Snikch.

Outro problema é inerente de Warhammer II em si: a diplomacia. Como líder do Clã Eshin, Snikch tem como sua principal mecânica a realização de ações de subterfúgio com garantia de 100% de sucesso. Tais ações seriam interessantes se os Skaven não tivessem as underhives, pois eu não consigo ver tais ações como nada mais do que um sistema de missões secundário e um pouco mais elaborado. Irrite alguém e você terá que lidar com um processo diplomático raso e desinteressante. Em grande parte do tempo eu me senti mais instigado a construir underhives do que tentar alguma manobra política. Afinal, a minha maior carência era a de alimentos (um dos elementos majoritários para manter estabilidade para os Skaven). Para que então arriscar uma crise?

Mesmo quando eu tentava e causava caos entre os Skaven, bastavam umas moedas de ouro para que toda a situação fosse embora. Mais uma vez a diplomacia se mostra o elo mais frágil de Total War: Warhammer II, e torço para que isso seja revisto em Warhammer III já que a Creative Assembly demonstrou ser capaz de criar elementos interessantes em Three Kingdoms.

Warhammer II
Malus Darkblade pode demonstrar um certo desafio no início, mas a facilidade de criar zonas de controle e linhas de suprimento a torna trivial.

A campanha de Malus Darkblade passa por problemas similares; no papel seria uma fantástica campanha, dada a dificuldade de manter uma linha de frente em dois continentes e o desequilíbrio de Malus pela sua possessão por Tz’arkan. Entretanto, um jogador experiente vai notar que é mais fácil estabelecer uma zona de controle na parte superior do mapa e usar a região onde Malus se encontra como um “ponto de invasão” e recebimento de recursos / unidades. 

Assim que eu percebi isso, raras foram as vezes em que eu me preocupei com a possibilidade de Malus perder o controle, ou usei a possessão de Tz’arkan como uma vantagem no campo de batalha. As unidades dos Dark Elves por si só já são fortes em comparação à média, e a tal possessão pode ser controlada com elixires que não são caros. Para alguém que estava com os cofres cheios de moedas de ouro, a campanha foi mais fácil do que eu esperava. O mais irritante era a distância dos objetivos – um mal inerente do gigantesco mapa de Total War: Warhammer II.

Creio que aqueles que estiverem mais investidos no lore de Warhammer do que eu terão um pouco mais de empatia pelas situações apresentadas na campanha, mas eu não me senti desafiado em momento algum. Isto é, ao menos no que diz respeito a Eye of the Vortex. Mortal Empires é uma história bem diferente.

Dizer que Mortal Empires foi o foco desse DLC e da atualização que o acompanha não é nenhum exagero. A Creative Assembly finalmente resolveu o problema dos turnos intermináveis – onde o tempo de carregamento caiu de 2 minutos para 30s em média – e tanto Malus quanto Snikch têm inimigos mais perigosos quando se consideram os dois continentes de Warhammer e Warhammer II. 

Warhammer II
As mecânicas de Snickh são menos atraentes em Eye of the Vortex do que Mortal Empires.

O que foi uma partida tranquila com Malus em Eye of The Vortex virou algo calculista em Mortal Empires. Eu não tinha mais o luxo de criar uma linha de suprimentos e uma base segura na região onde Malus começa, devido ao receio de que outra facção pudesse vir e tomar a minha cidade. Eu tinha que agir, e agir rápido. Foi aí que os preços dos elixires e as habilidades de Malus começaram a afetar a minha economia e o ritmo da minha campanha. 

A IA no modo lendário não perdeu tempo e destruiu o que tinha sido o meu porto seguro por toda a campanha Eye of the Vortex. Por pouco eu não perdi as poucas regiões que tinha conquistado como Malus. Foram batalhas atrás de batalhas até me reerguer e ter um equilíbrio no lado financeiro / logístico / armamentista.

Eu sequer vou entrar no mérito de dizer o quanto eu fracassei na campanha dos Skaven. Após avançar em múltiplas frentes e ter uma economia estável, os clãs que eu deturpei e traí declararam guerra. Como isso não é Eye of the Vortex, outras facções já estavam com a mão coçando para pegar os meus territórios. Como o Modus Operandi dos Skaven é quantidade acima de qualidade, as artimanhas tecnológicas de Ikit Claw me fizeram falta, e me levaram para a minha falência financeira e emocional. Não aguentava mais apanhar tanto de todos os lados. Pouco a pouco vi minhas fortificações caírem, minhas cidades serem tomadas, e nem as Underhives salvaram a minha pele. Ainda me pergunto como diabos vencer essa campanha.

Mas quem rouba a cena mesmo sequer está no DLC. Falo de Repanse de Lyonesse para Bretonnia. Por ser alguém que pouco joga com a facção, vê-la ser adicionada na campanha e a sua posição inicial foi um susto e tanto. Sem dúvidas é um dos inícios mais complexos seja em Eye of the Vortex ou Mortal Empires. Presa entre os Tomb Kings no sudoeste, os vampiros no norte e os anões no sul (no caso de Mortal Empires), você precisa realizar ações rápidas e decisivas caso queira tomar algum território.

The Shadow & The Blade
Bretonnia vs Tomb Kings. Espere um massacre imenso.

Isso é dificultado ainda mais pela mecânica de camponeses. Se você não jogou como Bretonnia, aqui vai como eles funcionam: quanto mais tropas que utilizam camponeses estiverem na frente de batalha, menor vai ser a arrecadação de renda das fazendas. Junte isso a um terreno árido e vasto onde tropas precisam marchar se quiserem chegar em cidades e você tem a receita perfeita para perder a partida já nos turnos iniciais. Não preciso dizer que foi isso que aconteceu comigo inúmeras vezes; ainda não peguei o jeito de Repanse de Lyonesse, e espero que eu consiga achar o tempo para me dedicar e vencer com ela tanto em Eye of the Vortex como em Mortal Empires.

Porém, como é notável, Shadow & The Blade é uma tremenda encruzilhada. Se você me dissesse que essa é uma expansão da Paradox – a exemplo do que  a desenvolvedora sueca faz com a desinteressantíssima Apocalypse para Stellaris – eu não me surpreenderia. Mas isso é a Creative Assembly, e na atual conjuntura da desenvolvedora, isso é uma imensa raridade. 

The Shadow & The Blade tem sim os seus méritos com o lore, para aqueles que têm paciência (e computador, inclusive um SSD) para rodar Mortal Empires ou para quem quer ainda mais unidades para jogar partidas online. Se você não se encaixa em nenhuma das categorias, é melhor pegar Repanse de Lyonesse e aproveitar uma das campanhas mais desafiadoras de Total War: Warhammer II.

Total War: Warhammer II - The Shadow & The Blade

Total - 6.5

6.5

The Shadow & The Blade era para ser um conflito interessante entre Malus Darkblade e Deathmaster Snikch, mas a carência de um sistema diplomático competente em Total War: Warhammer II as torna um tanto “sem sal”. Mortal Empires reduz esse problema com uma maior quantidade de facções e mais periculosidade nos turnos iniciais. Entretanto, é difícil não sentir que essa foi a primeira vez em um bom tempo que a Creative Assembly pisou na bola em prover para Eye of the Vortex o senso de perigo e tensão que faz os outros DLCs serem tão aclamados.

Análise – Total War: Warhammer II – The Shadow & The Blade

About The Author
- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.