Análise – SUPERHOT

SUPER. HOT. SUPER. HOT. As palavras não saem da minha cabeça. Toda vez que eu fecho o jogo, minha mente pensa: “só mais uma partida, só mais um pouco”. Não me dava conta, mas estava viciado. SUPERHOT está disponível no Steam, Nuuvem e GOG a partir de R$ 39,99

SUPERHOT pode ser resumido, de maneira relativamente simples, em uma sentença: Um shooter onde o tempo se move apenas quando você realiza uma ação. A pergunta mais importante não é o que ele é, mas como ele faz isso. Sou eu que controlo o tempo ou é o tempo que me controla?

Claro, não estamos mais nos finais dos anos 90, a Terra não se tornou o que o mundo de Matrix imaginava e o “Bullet Time” de Max Payne caiu em desuso como uma ferramenta no kit de ferramentas do jogador. Em SUPERHOT o tempo é tanto seu aliado quanto o principal inimigo.

O tempo pode parar momentaneamente enquanto não faço uma ação, mas minha cabeça continua a mil. Para onde devo me movimentar? Onde irá aparecer o próximo inimigo? Será que devo me livrar dessa pistola ou essa última bala no pente é o que me salvará? Todas essas perguntas devem ser respondidas em segundos. Ao mesmo tempo que ele para, ele acelera você.

A cada nova fase, sentia que minha habilidade aumentava, que meu pensamento estava mais rápido. O cenário, esteticamente simples, se transforma no seu closet de ferramentas e os inimigos as baratas que devem ser removidas. Praticamente tudo presente neles pode ser usado como arma, seja para atordoar momentaneamente ou matá-los.

SUPERHOT

Aquela sensação de repetitividade nunca chegou, pois cada momento é único. Em uma fase eu começava dentro de um banheiro, em outra em um trem em movimento ou até mesmo sendo arremessado de uma janela. SUPERHOT soube trabalhar o cenário para que ele atue a favor e contra o jogador, que seja sua arma, mas que esconde alguns perigos que acho melhor não revelar.

Um dos momentos que me fez apaixonar por SUPERHOT foi quando, em uma das fases mais avançadas, bloqueei uma bala com uma bola de bilhar, enquanto que quase institivamente peguei um copo de Martini que estava próximo e o arremessei. Ao derrubar sua espingarda, não pensei duas vezes antes de soltar um disparo em seu rosto, o transformando em pedaços de vidro espalhados pelo cenário.

SUPERHOT é violento, mas são meros bonecos de vidro, não é mesmo? Ou são humanos de uma realidade alternativa? Não quero entrar em spoilers, mas a história conta com algumas sacadas de gênio que se une a jogabilidade de uma maneira espetacular. Ela te dá conteúdo suficiente para você não se sentir esgotado ao finalizá-la. Meu apetite por mais ação só cresceu.

Para mim a real diversão começou quando eu terminei a campanha. Com apenas algumas horas de duração, ela diverte, mas a partir do momento que você pega o conceito, se torna previsível em muitos momentos. Ou seria eu que virei um robô?

Após finalizada, inúmeros modos de desafio e o modo “Endless” é liberado. Esse é o verdadeiro SUPERHOT, esse é o que eu buscava no jogo. Termine o jogo o mais rápido que puder, cada arma possui apenas uma bala. O tempo se torna ainda mais precioso e prejudicial a você.

Me encontrei no modo Endless. “MATE-OS”, dizia a tela, e assim eu fazia. Onda após onda, como uma máquina via meus reflexos sendo postos a prova. Um movimento errado e eu estava morto, mas quando tudo se encaixava eu me sentia um deus.

SUPERHOT

Ver aqueles corpos sendo estilhaçados unido ao mais puro silêncio é quase que indescritível. Melhor ainda com o sistema de replays. No final de cada partida você pode revê-la em tempo real, quase que um “tapinha” nas costas e um “parabéns, você fez tudo isso” para você. Há a opção de editar e realizar o upload para o que a SUPERHOT Team chama de Killstagram, um site onde você pode ver as melhores mortes, combos, enfim, você pegou a ideia.

Quando pensei que já estava no limite do conteúdo, SUPERHOT te adiciona ainda mais desafios, mais fases a serem liberadas, modificadores do modo endless. “Os corpos são descartáveis”, SUPERHOT me dizia. E lá eu ia para mais uma rodada, mais uma oportunidade de me sentir poderoso, invulnerável, senhor do tempo, sentir a adrenalina tomar conta do meu corpo.

No fim das contas eu não sei se joguei SUPERHOT ou foi SUPERHOT que me induziu a jogá-lo. Seria eu um monstro movido pelo singelo prazer de destruir bonecos de vidro? Só mais um round, só quero tentar passar do meu recorde. SUPERHOT é, de certa forma, surpreendentemente familiar para quem já jogou um shooter e ao mesmo tempo único em seu conceito.

Ele te olha no fundo dos olhos e te diz, mesmo que inconscientemente, “fique, você gosta da ação, você gosta desse poder que eu te dou”. Ele te agarra e não te solta. Aproveite o universo, aproveite a ambientação. Mas verifique a quantidade de balas, pois sempre há um inimigo na espera para te matar. Recomendadíssimo para qualquer fã de shooter ou que só quer algo fora do comum.

SUPERHOT

Total - 9.5

9.5

SUPERHOT brinca com o tempo, com a sua cabeça, com a sua percepção de dificuldade e como você reage aos desafios. É único, é especial e merece ser jogado pro qualquer fã de um bom shooter

Análise – SUPERHOT

About The Author
- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.