Análise – Street Fighter V

Socos, hadoukens, shoryukens. Street Fighter V é a mais nova sequência da famosa série homônima, que completa 29 anos e chega repleta de novidades. Algumas boas, outras nem tanto. Ele está disponível para PC e PlayStation 4 a partir de R$ 99,99.

A maior novidade fica por conta do novo elenco. Com 16 jogadores, veteranos como Ryu e Ken marcam presença, enquanto se unem a recém-chegados como a brasileira Laura, o árabe Rashid e o estranho Necali. Onde antes tínhamos um elenco mais diversificado em Ultra Street Fighter IV, isso não significa que o quinto game é ruim.

Na realidade, é um dos elencos mais interessantes que colocamos as mãos. Cada lutador é simplesmente divertido de jogar. Não rola aquele medo de: “será que devo testar esse personagem? E se eu não me adaptar?”, vai fundo, não tenha medo. É como se cada um deles agora viesse com um brilho, aquele diferencial que os torna únicos.

Dentre todos, minha favorita ficou para Rainbow Mika, ou R.Mika para quem já está acostumado com a nomenclatura da série. A lutadora de wrestling que apareceu originalmente em Street Fighter Alpha IIII rapidamente subiu no meu ranking pessoal de lutadores quando percebi que agora era capaz de fazer alguns combos interessantes com menos esforço do que imaginava.

Por outro lado, F.A.N.G. e seus golpes que envenenam o oponente sem dúvidas foi uma das coisas mais irritantes que já presenciei em um jogo de luta. Se existe algo com o qual pudesse comparar, seria a eternamente irritante barreira de Urien em Street Fighter III. Como nunca soube como contra-atacar aquilo direito, diz muito sobre a minha habilidade na franquia da Capcom, ou seja, péssima.

Para se tornar mais fácil para os novatos, foram embora combos que somente tinham uma janela de 1 sexagésimo de segundo. Agora, eles podem ser feitos com um vigésimo de segundo, três vezes mais fácil. Se isso soou meio demais para sua cabeça, entenda assim: Está mais fácil de unir um soco fraco e um soco médio.

Street Fighter V

Além disso, habilidade popularizada por Street Fighter 4, Focus Attack, deu o seu lugar para habilidades específicas de cada lutador. Ryu, por exemplo, ganhou a habilidade de parry, podendo rebater com o timing correto ataques de inimigos.

Também foi removida a barra de Ultra, considerada pela cena competitiva como uma muleta para jogadores mais inexperientes, que eram presenteados com a chance de executar um super golpe quanto mais danos recebessem. Em seu lugar, veio o V-Gauge, que quando ativado, fornece ataques especiais ou buffs, ao depender do personagem escolhido, chamada de V-Skill. A Barra também dá a possibilidade do jogador de contra-atacar um ataque, gastando parte dela, com o V-Reversal.

De maneira geral as partidas de Street Fighter nunca estiveram tão ágeis. Cada uma é cheia de emoção, com V-Reversals rolando solto, bloqueios, gritos de alegria ou algumas vezes umas bufadas quando um golpe não conecta ou o seu oponente te arremessa no último instante.

Ainda é um pouco demais para os completamente novatos no gênero? Sim, e Street Fighter continua a fazer um trabalho terrível em introduzir cada uma dessas mecânicas para o jogador. O tutorial inicial é quase como uma piada de mau gosto. Ao terminar ficamos na espera de que algo mais robusto aparecesse. Este algo nunca apareceu. É bom você gastar algumas horas no treino ou se preparar no online.

Quando o assunto é conectividade online, Street Fighter V é sensacional, quando quer. Nas partidas que fizemos, metade mostra um netcode sólido, com praticamente nenhum problema. As lutas fluíam naturalmente, os combos se encaixavam, os especiais eram feitos com facilidade. Já nas outras, bem, a história muda completamente. O lag dominava, os personagens teleportavam pela tela e em alguns momentos chegamos a ver a tela congelar por alguns segundos sem mesmo entender os motivos.

Street Fighter V

A Capcom Fighters Network — rede que engloba todo o sistema online e de crossplay entre PlayStation 4 vs PC Street Fighter V — é uma ideia interessante, mas que no momento da review, ainda dá os seus primeiros passos. A pesquisa por lutadores é um pouco confusa, faltam algumas funcionalidades como uma lista de amigos mais robusta e outros pequenos detalhes que incomodam, mas não prejudicam a jogatina de uma maneira geral.

Para quem prefere o conteúdo para um jogador, temos boas e ao mesmo tempo más notícias. Há um modo história incluso na versão inicial de Street Fighter V. Este, que não são nada mais do que pequenos cenários com lutas de um round com cada um dos lutadores. Uma expansão será lançada em junho que trará uma trama mais robusta e supostamente o restante do conteúdo.

Isso sem contar a parte estética, que dá um show à parte no PC. Não dizemos apenas de texturas bem definidas ou modelos bem elaborados. Há um certo contraste no cenário de modo que ele nunca tira o foco do combate em si, mas também preenche e cria uma atmosfera soberba. Os golpes especiais, então, nem se fala. Cada um mais bonito que o outro que dá até vontade de treinar com cada lutador apenas para vê-los serem executados na tela.

No quesito técnico, ao menos em ambas as máquinas que testamos, não temos do que reclamar. Apesar de ter que diminuir alguns efeitos, bugs ou glitches eram coisas raríssimas, que perto da reclamação de outros jogadores, parecem mais mitos do que outra coisa.

O que me leva a questão: Street Fighter V carece de conteúdo? Acreditamos que não. Nossa expectativa estava em uma boa conectividade online e lutadores divertidos de se jogar. Nisso a Capcom acertou quase em cheio. Ao menos na parte das mecânicas, nunca nos divertimos tanto em um Street Fighter.

Street Fighter V

Como tudo na vida, conteúdo é algo extremamente subjetivo. Street Fighter V mira a bola, acerta na trave e de vez em quando marca o gol quando falamos de conectividade. É uma plataforma que tende a crescer e uma jogada arriscada para a Capcom. Agora, exageros como apontá-lo como um jogo em acesso antecipado, que carece severamente de conteúdo enquanto tantos outros jogos são lançados com menos ou ainda piores do que isso é quase que um absurdo.

A impressão que essa ideia me passa é de que pessoas que andam comparando SFV a um jogo Early Access nunca jogaram jogos do tipo, ou tiveram sorte de encontrar exceções, pois maioria são definidos como jogos ainda numa fase de otimização muito grande, ou com modos muito necessários ao seu total funcionamento faltando, o que não é caso. Falo isso inclusive como alguém que gosta de jogar modos história de jogos de luta.

A estrutura está lá, os lutadores divertidos estão lá, o sistema de combos agora ainda mais refinado está lá. Cada momento da luta é eletrizante, é desafiador, cada sorriso que demos enquanto tentávamos novos combos era real. Em muito tempo não sentíamos tão à vontade em um jogo de luta como Street Fighter V. Claro, ele tem lá seus problemas, como todo jogo tem. Muitos deles que podem ser consertados em breve.

Seja você um fã de luta casual, mas que não se importa com um modo história ou um veterano preparado para o próximo desafio, Street Fighter V vai te receber de braços abertos. Mecânicas interessantes e lutadores divertidos são o começo de uma jornada que estou muito ansioso para ver como vai continuar.

A análise foi feita com base em uma cópia para PC enviada pela Capcom

Street Fighter V

Total
Por mais que no momento tenha alguns problemas no modo online, Street Fighter V é um dos mais divertidos e acessíveis jogos da franquia. Com uma jogabilidade ágil e refinada, é um deleite para os fãs de luta no geral e o pontapé inicial de uma plataforma da Capcom que tem tudo para crescer.
Muito bom

Análise – Street Fighter V

About The Author
- Formado em jornalismo, joga games desde criança, e sempre quis trabalhar com jogos. Gosta de diversos generos, menos de simulação e mobas em geral. Sua série preferida é Metal Gear Solid.