Análise – Stars in Shadow

Após jogá-lo ostensivamente durante a primeira semana no acesso antecipado, pouco me empolgava para revisitar Stars in Shadow. Um projeto de 12 anos que tinha ideias boas, mas caia nos mesmos problemas de outros jogos 4X espaciais. Agora disponível no Steam por R$45,99, os meus medos se tornaram realidade.

Nos últimos dois anos eu provavelmente joguei mais jogos de 4X ambientados no espaço do que nos últimos dez. Vejo como algo bom, já que uma parcela deles sempre traz algo de novo para a mesa, mas também pela teimosia em copiar o conceito preestabelecido por Master of Orion.

Stars in Shadow não foge à regra, apertando os mesmos botões apertados pela MicroProse em 1993. Uma galáxia pronta para ser explorada, diferentes níveis de dificuldade, personalidades de facções bem estabelecidas. A mesma história de sempre, você pode começar como uma civilização focada em pesquisa, indústria, militarismo.

Dado cinco minutos de partida e estou em frente aos mesmos pilares que sustentam o gênero: Produza alimento, produza manufatura e produza mão de obra. Uma rabiscada rápida de papel carbono em cima de Master of Orion tão pesada que dá até entojo.

É chato quanto eu consigo telegrafar os movimentos que o jogo vai fazer. Na minha primeira partida com a versão para análise, pensei “Daqui há três turnos vai aparecer piratas em alguma galáxia próxima”. Dito e feito, me deparei com um grupo separatista que já queria entrar em combate por estar à frente do planeta deles. Típicos piratas, não podem esperar um turno para organizar as tropas.

O que eu antes via como um dos sistemas mais fracos de Stars in Shadow, o combate, acabou por se tornar o meu favorito. Não sei se é por conta que todo o restante é tão previsível ou pela capacidade do mesmo.

Feito em turnos, é um daqueles onde eu tenho gosto de apreciar o trabalho feito pela Ashdar em criar belas naves e conseguir dar mais ênfase ao designer de naves do que outros do gênero. Ainda que deteste ter de preparar naves, ao menos aqui fazia com a sensação de que seria aplicado a algo tangível.

Stars in Shadow

Há uma grande diferença que alguns desenvolvedores de estratégia parecem ter perdido ao longo dos anos. Números são divertidos, mas entender o que acontece na tela é muito mais. É um cenário que tinha me deparado ao jogar Battlefleet Gothic: Armada, incrivelmente mais agradável ver as naves se explodirem do que ler um sumário do que aconteceu. De que adianta liberar mísseis nucleares se você não sabe quando ou como usá-los?

Por conta disso eu esperava ansiosamente pelo próximo combate, por aprimorar as minhas naves, por pesquisar novas tecnologias e aplica-las na progressão dos turnos. Uma pena é que Stars in Shadow joga todo o peso de carregar um jogo de estratégia 4X nas costas de um sistema.

Sem um modo multiplayer, as partidas contra a inteligência artificial variavam de “eu vou conquistar metade do universo em trinta turnos” a “eu quero jogar o meu PC pela janela”. Meu senhor, não há um meio termo nessa história? Quais buffs eram dados para a inteligência artificial, ainda peco em descobrir, mas eu quero os mesmos para a minha civilização. Imagina casos onde você tem uma frota com vinte (!) naves na sua porta sem ao menos colonizar dois planetas.

Stars in Shadow, assim como tantos outros jogos lançados em 2016, reforçam a noção de um gênero em crise, que não sabe para onde se expandir. Busca na base a extração de um pouco mais de recursos como um poço de petróleo prestes a se esgotar. E não é por falta de outros exemplos que temos por aí. Star Ruler II, Endless Space, Endless Legend, Distant: Worlds Univers, até Stellaris conseguem trazer mais do que um Master Of Orion 60.0 (desculpe, realmente perdi a conta de quantas “versões” existem por aí).  Não quero dizer que eles fazem tudo perfeito, nenhum jogo faz, mas ao menos tentam em várias áreas.

Stars in Shadow é mais um produto do meio do que a causa do problema. Qual a razão de investir em mecânicas melhores se os jogadores também não se importam com tal inovação? Ele engloba o melhor aspecto de mediano que eu consigo imaginar até o começo de 2017 para os 4X.

Eu até recomendaria para alguém que nunca os jogou, mas fora isto, não consigo pensar em algum cenário que pense em dar atenção a ele. Ao menos ele é melhor do que o remaster de Master of Orion, mas também, com uma tarefa tão básica pela frente, qualquer jogo posto contra a aberração desenvolvida pela NGD Games seria melhor.

Stars in Shadow

Total
Com apenas um ótimo sistema de combate que o evita de cair na completa mediocridade, Stars in Shadow é mais um “Master of Orion” revisitado para aqueles que não conseguem largar o clássico, mas também não querem novas mecânicas. Colonizar planetas é legal, até você fazer isso pela centésima vez da mesma maneira em vinte anos.
Fraco

Análise – Stars in Shadow

About The Author
- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.