Análise – RIVE

Algumas empresas somem ou acabam falindo. É a natureza do mercado e do capitalismo. Entretanto, algumas tem a oportunidade de um último respiro antes de sumir. Esse é o caso de Rive da Two Tribes, que infelizmente traz mais tristeza do que um adeus com boas lembranças. O jogo está disponível para PlayStation 4 e PC, por R$27,99.

Rive se trata de um shoot ‘em up de plataforma, onde você controla Roughshot, scavenger que a procura de tesouros encontra uma nave no espaço.  O que seria trabalho fácil, acaba descobrindo que nada é tão simples assim e acaba por encontrar um peculiar companheiro.

Inicialmente, o jogo é bem aconchegante, por assim dizer. Tanto as mecânicas de tiro quanto a movimentação não são maravilhosas, mas aceitáveis ao ponto de não incomodar. O jogo te dá um espaço de erro relativamente grande para que você consiga perceber onde errrou. Os chefes iniciais seguem um padrão de ataque que beneficia aqueles que forem atenciosos, mas não expandem mais do que este conceito.

Entretanto, na segunda metade do jogo, as coisas mudam completamente, dando lugar a estresse e frustração.

O polimento vai por água abaixo, checkpoints — que antes eram devidamente espaçados — acontecem em momentos injustos. Sessões de plataforma requerem um timing específico e mostra que o controle de Roughshot não era tão preciso quanto aparentava de início.

A minha relação com os chefões também denegriu ao longo do jogo. O que antes era um exercício em decorar padrões, se transformava em ter de lidar com elementos aleatórios no mapa que dão uma falsa sensação de desavio. Em certo ponto tinha de matar o chefão, tomar cuidado com robôs que causavam dano caso o tocasse e uma bomba que é jogada em momentos aleatórios

Não tenho problema com o ato de decorar padrões de ataque, ou destes inimigos adicionais, até gosto na verdade. Daí a ter de lidar com elementos do cenário, não expandir as mecânicas tampouco a complexidade da luta, são outros quinhentos. Ou você equilibra o jogo para acomodar estes elementos ou seria uma melhor removê-los. Ambas as mecânicas não possuem espaço em Rive.

Outro ponto que me gera conflito é o desenrolar da trama. A história em si é bem simples, e inofensiva. O diálogo de forma geral me agrada graças as boas atuações dos dois personagens. Entretanto ele se apoia um pouco demais em “homenagens” a cultura pop.

Inicialmente elas são engraçadas, mas conforme progredia, elas começam a se tornar forçadas e gratuitas. Você percebe que a intenção dos desenvolvedores é pagar tributo a jogos que deixaram a sua marca no gênero, mas isso acaba sendo algo que acaba mais empacando o jogo, e fazendo ele perder sua personalidade própria, dependendo mais das conquistas de outrem do que realizar as suas próprias.

RIVE

Seria isto uma desconfiança do próprio produto? De uma tentativa de se apoiar em terceiros para conseguir dar alguma personalidade? Difícil responder esta pergunta sem entrar na mente dos desenvolvedores, mas Rive tinha muito mais a oferecer do que meras homenagens.

Posso soar crítico demais, mas Rive tem sim os seus pontos positivos. Dado o desenvolvimento conturbado fiquei impressionado com a qualidade gráfica que a Two Tribes conseguiu extrair. Os ambientes exalam personalidade, com camadas para dar profundidade e de maneira contrastante o suficiente para que não afete a jogabilidade.

O mesmo pode ser dito da sua trilha sonora, que enfatiza bem os momentos de mais emoção do jogo, e é energética o suficiente em momentos de batalha contra chefes e inimigos maiores.

A impressão que eu tenho é que todo o esforço em tornar Rive especial foi focado quase que exclusivamente na primeira metade, enquanto a segunda demonstrava o ritmo em que a Two Tribes teve de correr para finalizá-lo.

Ele foi um jogo que me agradou de início com o ritmo e padrões dos chefões e de seus desafios. Mas que, infelizmente foi gradativamente saindo do difícil para o irritante. Diversão dava lugar a paciência, muita paciência.

Jamais esperei que Rive fosse um daqueles jogos para ficar na lista de melhores do ano, mas que ao menos fosse uma boa despedida da Two Tribes. Infelizmente, isto não se tornou realidade. Se você ainda tem algum desejo de jogar, vá em frente, só prepare uma boa dose de paciência para isto.

RIVE

Total - 6

6

Rive poderia ter sido excelente caso mantivesse a qualidade apresentada durante a primeira metade da campanha. Infelizmente a constante referência a cultura pop e mecânicas que chegam a enfurecer o tornam algo derivativo e pouco marcante.

Análise – RIVE

About The Author
- Formado em jornalismo, joga games desde criança, e sempre quis trabalhar com jogos. Gosta de diversos generos, menos de simulação e mobas em geral. Sua série preferida é Metal Gear Solid.