Análise – Dengeki Bunko: Fighting Climax

Eu gosto quando jogos me ensinam algo, como por exemplo que Dengeki Bunko é uma editora japonesa fundada em 1993 que conta com uma revista semanal desde 2007 no Japão. Em comemoração a todos esses anos de existência, nada melhor do que comemorar com um jogo de luta que une os principais personagens publicados, não é mesmo? Dengeki Bunko: Fighting Climax está disponível para PlayStation 3 e PlayStation VITA.

Confesso que sou a última pessoa que recomendaria para referências de animes e mangás. Afinal, detesto boa parte deles, com a exceção de Evangelion, Ghost in the Shell e Planetes. Isso não foi empecilho para que apreciasse o empenho para criar Dengeki Bunko: Fighting Climax, um mashup de diversos personagens de várias franquias. São um total de 14 personagens e 23 assists para serem escolhidos.

O primeiro modo que decidi me aventurar foi o modo história, que funciona muito parecido como jogos como a franquia Blazblue da Arc SystemWorks. Uma narrativa se passa antes das lutas para dar sentido a elas. Nada elaborado, ainda mais para mim que não conhecia nem metade daqueles personagens, salvo um ou outro de Sword Art Online. Consequentemente a história foi de pouco interesse para mim, apesar de conseguir ver que as mecânicas ali apresentadas começavam a me agradar

Desenvolvido pela mesma empresa de Melty Blood, Dengeki Bunko: Fighting Climax usa o método “fácil te aprender, difícil de dominar”. Nos primeiros minutos já sabia as mecânicas principais de combate e os golpes saiam sem muito esforço. Ele utiliza o já conhecido sistema de golpes “fracos”, “médios” e “fortes” visto em outros jogos. Golpes fracos podem ser misturados com golpes médios e consequentemente golpes fortes.

Dengeki Bunko: Fighting Climax

Unido a isto está um sistema de combos automático – que pode ser desativado para partidas online – ótimo para quem realmente não entende nada de jogo de luta. Aperte o botão de golpe fraco seguidamente e ele irá soltar todos os golpes de fraco a forte, golpes especiais e super caso você tenha a barra de super cheia.

O aprendizado continua a se mostrar ainda mais fácil com a inclusão de comandos que podem ser aplicados em qualquer os personagens. Por exemplo, apertar o golpe fraco e golpe forte ao mesmo tempo usará uma “carta” que dá um bônus de dano por um período curto e não pode ser bloqueada. Golpes especiais seguem o mesmo conceito e os comandos que funcionam com todos os personagens.

Antes que pense que não há complexidade, assists – que contam com golpes defensivos ou ofensivos – podem ser misturados aos combos. Os lutadores ganham powerups que aumentam em 15% o seu poder ofensivo, combos aéreos são coisas que nem ousarei a explicar pois começaram a parecer complicados demais. Um dos defeitos Dengeki Bunko: Fighting Climax é a falta de um modo tutorial. Ainda que o de treinamento se provou útil para aprender detalhes que passaram despercebidos, tutoriais são algo que já espero de jogos de luta atuais.

Quando posto frente a frente com outros games de luta, Dengeki Bunko deixa a desejar bastante no conteúdo. A quantidade de personagens não incomoda, mas os modos adicionais são simples demais. Modo desafio, partidas online com rank ou sem rank e mais nada. Ainda que todos estes são competentes e cumprem seu propósito, há aquela sensação de “queria algo a mais” constante.

Na parte técnica, Dengeki Bunko: Fighting Climax usa um misto de cenários em 3D com personagens animados por sprites. Longe da qualidade de títulos como Blazblue, a animação é um tanto quanto estranha, travada e a transição entre posições – como pular, agachar ou atacar – tem pouco capricho. Em compensação os cenários são bem produzidos e fazem referência aos games da SEGA, como a Green Hill Zone de Sonic ou Valkyria Chronicles. Prefiro que as prioridades fossem inversas, cenários mais simples em troca de animações melhores.

Se causa estranheza estar disponível apenas para o PlayStation 3 e VITA, é preciso explicar que uma versão para PlayStation 4 já está disponível no Japão. Apenas esta que demorou mais do que deveria para chegar no ocidente, com quase um ano de diferença.

Dengeki Bunko: Fighting Climax

Levando em conta o poderio das plataformas para o qual foi lançado, a versão para PlayStation 3 usada para esta análise não mostrou problemas de queda na taxa de quadros, até mesmo online – um dos componentes mais falhos que vejo em jogos de luta – funcionou direito, inclusive com jogadores fora do Brasil. Ainda há um certo delay entre os comandos devido à distância, mas para um jogo pouco punitivo e fácil de aprender isso não se mostrou como um empecilho.

Frustrante é saber que além de recebermos quase um ano após o lançamento, em dezembro de 2015 uma outra versão, com balanceamento e novos personagens já estará disponível para o PlayStastion 4 no Japão. Entendo que a tradução não é algo fácil de se realizar, mas não deixa de passar a sensação que recebemos um produto inferior e ainda nem há uma data para que a sequência chegue no ocidente.

Seja pelo meu pequeno conhecimento dos personagens, animação travada ou a carência de modo de jogos, Dengeki Bungo: Fighting Climax nunca saiu do “competente”. É bom para quem quer um jogo de luta fácil de aprender, com um preço jnão tão salgado e ainda não possui um console da atual geração.

A análise foi feita com base em uma cópia enviada pela SEGA

Análise – Dengeki Bunko: Fighting Climax

About The Author
- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.