Análise – Eisenhorn: Xenos

Há um tempo atrás, tive a oportunidade de jogar a versão beta de Eisenhorn: Xenos, onde saí apreensivo. Uma da boa história e ambientação, mas péssima jogabilidade. Será que deu tempo de melhorar o jogo? Desenvolvido pela Pixel Hero Games e disponível no Steam por R$36,99, infelizmente as promessas vieram abaixo a partir do momento comecei a jogá-lo.

Eisenhorn: Xenos conta a história de Gregor Eisenhorn, membro da inquisição do nosso amado senhor imperador. Após perseguir um inimigo de longa data, o assassino em massa Murdin Eyeclone, descobre que nada é tão simples quanto parece, e embarca numa busca pela verdade.

Ele oferece uma das jogabilidades mais cruas e subdesenvolvidas que joguei nos últimos tempos. Seja por ter sido desenvolvido para mobile primariamente ou por motivos que não sei explicar, ele mira muito alto e erra o tiro. Imita a série Arkham de Batman, copiando até cenas de câmera lenta, mas sem nenhuma sutileza ou diversão vista na série.

Em várias partes fui recebido por inimigos que surgiam do nada, que me matavam rapidamente e me deixavam boquiaberto. Dava a sensação de que a desenvolvedora simplesmente os jogou em qualquer canto do mapa e “o jogador que se vire para entender”.

O sistema de compra de armas é confuso, com uma boa seleção, mas algumas delas são mais pesadas, afetam a movimentação e em ponto algum isto foi explicado. Pela nostalgia com Space Marine, comprei uma espada serra, e fui agraciado com uma lentidão que nunca iria valer a pena, voltando a minha espada tradicional pelo resto do jogo.

Eisenhorn: XENOS

Ainda bem que a Pixel Hero Games optou por remover o sistema de stamina, que previamente punia o jogador que apertava botões sem pensar. Agora tenho de lidar apenas com uma pequena lentidão caso ataque rápido demais. Tendo em vista que o combate já não é lá essas coisas, um problema a menos para se preocupar.

Para fechar o pacote, ainda tive de enfrentar diversas cenas de andanças demoradas, que de vez em quando tentam “oferecer desafio” com puzzles. Muitos deles tendem a atingir o nível de insuportáveis, especialmente no ultimo terço do jogo, que ganha lentidão e repetição como sobrenomes.

A história é sem dúvida seu melhor aspecto. Com a ajuda de diversas cutscenes, temos um gosto desse interessante universo, e conforme o jogo progride a qualidade cresce exponencialmente, com dublagens que não deixam nada a dever ao personagem principal, dublado pelo ator Mark Strong, que já deu as caras nesse universo em Space Marine.

Mesmo sendo o melhor aspecto, nem ela escapa de falhas. A direção de áudio do game é terrível. Diversos momentos que poderiam ter algum tipo de carga dramática se perdem devido a um som completamente inapropriado a cena, ou a falta total de efeitos sonoros. Em umas das cenas do jogo, Eisenhorn corta a cabeça de um inimigo, que simplesmente tem a música interrompida, no exato momento da ação.

As expressões faciais dos personagens, ou melhor, a inexistência delas é inacreditável. Personagens mostram suas emoções pelas sobrancelhas, que de vez em quando escolhem se mexer. Em conjunto, uma sincronia labial que consegue ser pior do que se fosse animado com bonecos de Lego. Bocas parecem metralhadoras devido a sua velocidade, e cenas que podiam ter algum tipo de semelhança a algo dramático ganham um tom humorístico.

Eu geralmente não apontaria tais problemas em uma análise, mas no caso de Eisenhorn: Xenos, o que tem seu foco principal na história, os mecanismos para contá-la deveriam ser melhores. É uma pena, pois você acaba por não ter nenhuma ligação emocional com os personagens (apesar de que, convenhamos, emocional não é o forte do universo Warhammer). Apenas vê as sequências passarem diante de seus olhos sem reação.

Eisenhorn: XENOS

Graficamente, Eisenhorn: Xenos não apresenta nenhum problema obvio. Personagens são bem modelados, apesar de alguns contarem com texturas malfeitas, mas que aparecem pouco. Entretanto, algumas fases perdem a qualidade apresentada ao longo da aventura, com montanhas e cavernas desinteressantes. Dá a sensação de que todo o investimento foi feito nas primeiras horas e o final completado às pressas.

Além disso, o jogo conta com um dos piores pop-ins que já tive a chance de ver na Unreal Engine 3, mesmo que acostumado com ela. Personagens aparecem na tela completamente borrados para suas texturas carregarem um ou dois segundos depois. Quebra a imersão e frustra.

Como a maioria dos jogos independentes que se utilizam da franquia Warhammer, Eisenhorn: Xenos tinha o potencial de se tornar um clássico. Seja pela falta de verba ou por uma ambição que a Pixel Hero Games não consegue atingir no momento. A série Eisenhorn merece um tratamento melhor que este, seja na forma de um adventure aos moldes da Telltale ou qualquer outra forma. Só não deveria cair no esquecimento.

Eisenhorn: Xenos

Total - 5

5

Mesmo com uma história e personagens interessantes, Eisenhorn: Xenos peca em todos os outros aspectos, tornando algo que poderia ser um dos salvadores da IP em algo cansativo. Recomendado somente a fãs do universo Warhammer.

Análise – Eisenhorn: Xenos

About The Author
- Formado em jornalismo, joga games desde criança, e sempre quis trabalhar com jogos. Gosta de diversos generos, menos de simulação e mobas em geral. Sua série preferida é Metal Gear Solid.