Existem certos títulos que você joga e daqui alguns dias, esquece. System Shock 2 é algo que permanece na sua mente por anos a fio, mais especificamente no meu caso, cerca de doze anos.

Com o recém relançamento na GOG, pude desfrutar mais uma vez deste clássico e novamente ele não decepcionou.

Os corredores da Von Braun não são estranhos para mim. Porém, ainda me sinto tão inseguro neles como quando os percorria pela primeira vez. Não é do gênero terror, mas me sinto acuado, como se qualquer inimigo pudesse acabar com o meu progresso em questão de segundos.

Paro, planejo os meus objetivos, verifico meu equipamento. Tenho o suficiente para seguir em frente? Eu não sei. Me lembro que havia um sistema de segurança à frente, mas pode ser que um inimigo agora também esteja lá. Algum que não gostaria de encontrar, como os malditos macacos com poderes psíquicos.

Dei dois passos e era o que imaginava. Lá estava a torre pronta para se ativar no sinal de presença intrusa, mas sem nenhum inimigo, ufa. Me escondi contra uma parede, alguns disparos com a munição especial e a torre só me acertou três vezes.

System Shock 2

Não estava bem, acabei por gastar meus med-psis (itens de cura) mais do que deveria, só tinha apenas um e sem vida suficiente para prosseguir. Era melhor procurar por mais suprimentos. Foi então que o que menos gostaria aconteceu. Lá estava, com sua calibre doze apontada pra mim, seu corpo levemente desfigurado e um grunhido que ressoava “por favor me mate”. Não fui rápido o suficiente, ele me matou.

As vezes esqueço que não posso considerar a Von Braun como uma “fase”, nem como uma “área”. Devo aceita-la como uma entidade viva, com as suas próprias regras, determinadas pela sua gerenciadora, Shodan.

Shodan é uma das vilãs que não só se deve temer como também se deve admirar. Em uma época onde piadas sobre bolos ainda eram inexistentes, ela era rainha. Talvez seja até hoje, pelo menos no quesito de maldade ela ainda se sai como vitoriosa.

Enfim, do que seria todo este esforço sem a sua ambientação sonora? Ah, sua trilha sonora, uma mistura de Drum ‘n Bass com sons que te deixam relativamente incomodado ou quem sabe… receoso. Ainda os ouço em minha mente, apesar de que menos do que antigamente. Talvez tenha sido a minha primeira exposição ao gênero, talvez a melhor, nunca conseguirei apontar.

Claro que nem tudo me lembro com grande prazer em System Shock 2, ainda vejo sua interface como algo que poderia ter sido relativamente melhorado. Em uma época que o CyberPunk começava a tomar forma no mundo dos jogos, creio que Deus Ex tenha se saído melhor neste quesito.

System Shock 2

Veja bem, quando falo “a interface não é boa”, utilizo como base o que havíamos disponível na época, como Baldur’s Gate, Deus Ex, dentre outros. Se formos comparar com atualmente, ela definitivamente é melhor do que 90%.

Ouço dentro de minha cabeça alguém reclamando por meio de grunhidos “Mas temos interfaces tão boas hoje em dia”.

Não, temos interfaces pouco funcionais que escondem dados importantes em menus dentro de menus para que pessoas com um controle consigam acessá-la. Existem exceções, mas isso não vem ao caso no momento, afinal, falamos sobre System Shock 2 e não um artigo sobre interfaces.

System Shock 2

Agora você pensa, durante todo este tempo só o elogiei, mas eu desejo um System Shock 3? Não. Larguem, esqueçam a franquia, deixem ela cair no vazio, no limbo de todas as outras franquias da minha infância. Tranquem-na junto com Crusader no Remorse, Myst, Little Big Adventure, Darklands, Baldur’s Gate e Icewind Dale.

Saudades? Tenho, muitas. Mas como muitas das coisas de nossa vida, não vale a pena trazer de volta se for para se tornar apenas uma sombra do que eram de verdade.

Por enquanto, continuarei a explorar os corredores da Von Braun indefinidamente, sempre com um sorriso na cara por aqueles bons tempos que nunca voltarão. Pois este é um de vários títulos que levarei comigo e o compartilharei com quem for possível, porque uma pérola dessas, merece.

System Shock 2 – de volta a Von Braun

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- Colaborador para a EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.