Explorando o espaço com batatas em SPACEPLAN

Eu nunca entendi o apelo de Clicker Games. Você joga, clica em algo, o jogo faz metade do trabalho para você e depois avança de nível. Repita isso umas mil vezes e pronto, está aí a base para a metade do gênero. Depois de ter gastado horas em Clicker Heroes, percebi que o único que eu realmente gostei foi SPACEPLAN (R$6,29 PC/Mobile), desenvolvido por Jake Hollands e publicado pela Devolver Digital.

Em SPACEPLAN você literalmente vasculha um sistema solar ao enviar batatas para um planeta. Comece com um painel solar, clique para mais energia para depois enviar satélites, sondas, obter mais energia e o resto você já sabe. Sim, o estereótipo dos clickers está mais presente do que nunca, mas Jake Hollands o subverte de duas maneiras inteligentes . A primeira é um elemento de narrativa e a segunda uma agradabilíssima trilha sonora.

Aliado a você está um simpático “Word Outputter” que eu acredito ser a IA que monitora os satélites e pods-batata. A cada melhoria feita nas partes dos seus satélites ou pods, a IA solta uma ou outra frase engraçadinha que não chega a mudar o rumo da história, mas é uma maneira inteligente de me manter engajado além de “esperar uma barra ser preenchida”.

No outro ele implementa uma sutil trilha que intercala tão bem com todo o estilo “sci-fi” misturado com uma torre de comando que até deixei tocá-la enquanto fazia outras coisas de trabalho. Como alguém que abomina os sons ambientes usados nestes games, já é uma ótima surpresa.

Mas o mais importante vem do fato que SPACEPLAN tem um começo, meio e fim. Você não atinge em um ponto, ele te dá uma tela de “parabéns” e agora você tem que fazer tudo de novo como aconteceu com Clicker Heroes e me fez desistir dele.

SPACEPLAN

Eu tenho pavor de jogos que me fazem gastar o meu tempo à toa, sistemas de crafting, timers, metade dos jogos free-to-play mobile. “Volte daqui a X horas para obter mais energia”. Argh, me deixa fazer as coisas quando eu quero.

Do primeiro minuto de inicialização você já sente uma aura de “Olha, eu não estou aqui para você perder o seu tempo comigo, vamos te mostrar algumas coisas legais e você vai seguir com a sua vida”. Admiro tal aproximação em um mercado que é tão abarrotado de jogos medianos. O tempo de obter as principais melhorias, por exemplo, é bem menor do que a média. E, por incrível que pareça, a conclusão é mais inusitada do que você pensa.

Dizer, porém, que SPACEPLAN renova o gênero seria um exagero, mas mostra que há espaço para intercalar elementos narrativos em jogos que por muitos são tratados como dispensáveis ou apenas algo para preencher tempo entre uma ocasião e outra.

Gêneros e subgêneros nascem e morrem a cada geração, clickers não são diferentes. Há um valor intrínseco neles ligados de certa forma ao mesmo sistema de “score attack” dos primeiros jogos lá no passado. A nossa necessidade de ter algo para passar o tempo nas horas vagas, mas sem os nuances de nos aprimorarmos a cada partida. É apenas o famoso “timesink”, jogar por jogar, existir por existir.

O game de Jake Hollands é um passo adiante para incluir um maior significado da mesma forma que outras desenvolvedoras fizeram nos últimos 30 anos com elementos de narrativa nos adventures, shooters até virarem os imensos “blockbusters” que temos atualmente.

Depois de tantos anos desde os primeiros “clickers”, eu realmente torço para que este seja um novo caminho de integração narrativa e de encontrar novas maneiras de engajar o jogador. Como já mencionei em outros artigos, detesto atribuir valores a jogos, mas pelo tão pouco que custa, SPACEPLAN realmente merece atenção e amor.

Explorando o espaço com batatas em SPACEPLAN

About The Author
- Colaborador para a EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.