Monitoramento do governo na internet, stealth e uma equipe de dubladores de dar inveja. Tudo isso está em République, game mobile lançado recentemente para iOS e que em breve chegará para o PC.

Conversamos com Paulo Lafeta, produtor do título para conhecer um pouco sobre ele e trocar uma idéia sobre a indústria de jogos.

Você tem acompanhado a cena de desenvolvimento brasileira? Eventos como o SuperBRJam? Caso sim, o que você considera essencial para um fortalecimento e expansão da cultura de desenvolvimento de games no país?

Acompanho sim. SuperBRJam eu vi e foi uma ótima iniciativa para divulgar jogos brasileiros e ao mesmo tempo fazer uma boa caridade.

Vários dos seus jogos eu não conhecia. Eventos como o SuperBRJam e o SBGames são muito importantes pra unir e organizar melhor a indústria brasileira. Mas ainda há muito o que fazer. Brasil ainda está só engatinhando e precisa começar a andar em um ritmo maior.

République

O primeiro passo pra isso é exatamente se organizar mais, unindo os profissionais da área. Após isso, mostrar ao governo as vantagens de se dar incentivo a empresas de desenvolvimento de jogos.

Governos do Canadá, México e Inglaterra dão incentivos fiscais as empresas e seus países se beneficiam muito com isso, com geração de empregos no mercado interno, maior arrecadação com impostos e vendas para o exterior.

 O que você acha que os jogos mobiles precisam para se tornarem maiores, melhores e atingir o público mais “hardcore”?

République

Formado em ciência da computação pela UFMG e Master of Science in Computer Science na DigiPen, Paulo está há dois anos e meio na Camouflaj.

A base instalada de mobile sempre foi enorme, entretanto o hardware era de uma certa forma bastante limitado. Agora com equipamentos mais robustos pra jogos e uma forma de controle interessante como a do touch (ao invés das pequenas teclas) há um enorme potencial para jogos criativos e de alta qualidade que atrairão mais os jogadores hardcore.

Com isso, se as empresas focarem em fazer jogos de alta qualidade para seu público alvo, seja hardcore ou não, e fizerem um marketing legal em redes sociais e websites, elas provavelmente terão um bom lucro e crescerão.

Se for um jogo free-to-play, a empresa precisa que seu plano de negócios seja desenvolvido junto com o game design, para que as IAPs (In App Purchases) não comprometam a qualidade do jogo.

Algumas pessoas podem estar com receosas de comprar République, ainda mais por ser um jogo stealth mobile, dado aos controles. Poderia nos explicar o que foi feito para garantir uma experiência agradável em smartphones?

A gente desenvolveu o design do jogo com a jogabilidade de um toque já em mente. Isso facilitou muito para nós identificarmos seus pontos fortes e fracos. Se fizéssemos simplesmente um port de um jogo de PC/Console para touch, bem provável que a jogabilidade e design do jogo não ficaria tão polido, especialmente se envolvesse controles virtuais.

Diversos playtests foram feitos para identificar o que funciona e o que não funciona. Percebemos que a falta de um feedback visual era o nosso maior problema. Com touch, o player não “sente” que apertou até que o jogo responda visualmente.

Tivemos que fazer diversas iterações até que os jogadores se sentissem confortável controlando a Hope e hackeando os diversos sistemas do jogo. Agora vamos ficar atento aos comentários dos jogadores para continuar aperfeiçoando a jogabilidade.

Acredito que provamos que jogos com a complexidade de consoles também podem ser feitos para plataformas touch com uma jogabilidade e design diferente do que seria se fosse planejado originalmente para console.

Você já trabalhou com os consoles da nova geração? É possível vermos algum trabalho da Camouflaj neles?

Ainda não há planos para os consoles da nova geração. Quem sabe com o sucesso do République?

Já existe uma data possível de lançamento para a versão PC de République?

Não temos uma data para PC/Mac, mas certamente 2014. Em breve vamos entrar em contato com os jogadores para descobrir o que eles gostariam de ver na versão PC/Mac.

Para você, quais serão as grandes tendências da geração PlayStation 4 e Xbox One?

Além dos óbvios gráficos melhores, IA mais ambicioso, e super produções, para mim a maior tendência que essa nova geração irá trazer é o estabelecimento de lojas virtuais como PSN, Xbox Live, Nintendo eShop e Steam como a forma mais comum de se vender jogos.

A tendência para venda em caixa como conhecemos hoje em dia é diminuir, assim como aconteceu com a música recentemente. O mesmo vale para filmes. Acho isso tudo muito positivo, pois dá uma acessibilidade maior mundialmente.

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Para aqueles que desejam começar a desenvolver jogos, quais são as suas dicas?

Encontre primeiro sua área: programação, design, arte, jornalismo, música, produção, QA, etc. Depois expanda seu conhecimento um pouco para outras áreas também, assim você terá um diferencial e também facilitará na interação com seus companheiros de outras áreas.

O desenvolvimento de um jogo requer muita interação multidisciplinar, o que por si só é fascinante. Após encontrar sua área, estude bastante, faça jogos (completos de preferência) e monte seu portfólio.

Após a consolidação de seu conhecimento, encontre seu emprego ou comece seu próprio jogo profissional. Não se abale com as dificuldades, é uma área competitiva e o desenvolvimento do jogo em si pode ser um desafio.

Game é um tipo de software complexo de se produzir, com diversas áreas disciplinares, mas é ao mesmo tempo também um dos mais gratificantes e divertidos de se trabalhar.

Entrevista – République

About The Author
- Colaborador para a EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.