Falar que o lançamento de “Project Motor Racing” foi desastroso é ser demasiadamente gentil com o aguardadíssimo projeto da Straight4 Studios. Se algo, demonstrou que ele não estava nem um pouco preparado para ser liberado ao público. Mas, como a indústria as vezes dá uma segunda chance, a desenvolvedora baixou a cabeça e nos últimos meses trabalhou em uma gigantesca atualização. Esta, intitulada de versão 2.0, foi lançada nesta quarta-feira (25) para PC, PlayStation 5 e Xbox Series S/X.
Dentre as adições estão uma reformulação completa da interface, melhorias para o modo corrida, ajuste na simulação de pneus de vários carros, correções para problemas nos visuais, suporte mais robusto a controles e diferentes tipos de volantes. A lista de alterações, publicada no site oficial, é no mínimo assustadora. No entanto, do que eu testei, nem tudo são flores.
A Straight4 Studios de fato melhorou muitos aspectos do jogo. O modo carreira agora está não só mais intuitivo, como menos punitivo para aqueles que não tem muita afinidade com simuladores de corrida. Todavia, o suporte a controles – tanto de Xbox como PlayStation 5 – ainda deixa muito a desejar. Os carros mais básicos como o Mazda MX-5 são uma opção viável para aqueles que não possuem um volante, mas não pense em pular na categoria GT3 sem um volante. E mesmo nela, ainda há inconsistências.
De acordo com a Straight4 Studios, as mudanças feitas na simulação dos carros para a versão 2.0 de “Project Motor Racing” são a base para futuras atualizações e DLCs. Porém, isso não foi aplicado a todos os carros. Alguns deles ainda sofrem com pontos de frenagem “peculiares” e requerem muitos ajustes finos para serem viáveis em um ambiente de corrida.
Eu compreendo que não é “simples” atualizar dezenas de carros — nem jogos como “Automobilista 2”, que eu vejo como um exemplo de suporte pós-lançamento, conseguiu. Mas, com tanto tempo de espera, o mínimo era que as categorias mais usadas no modo online de “Project Motor Racing” estivessem bem alinhadas, mas pelo visto isso ainda vai demorar algumas atualizações.
Por outro lado, aqueles que estão mais interessados em jogar offline ou apenas praticar vão encontrar um simulador muito melhor do que eu tive o desprazer de testar no lançamento. A inclusão de um sistema de radar, ajustes nas regras e na aplicação de punições são um grande salto – ainda que ligeiramente imperfeito dependendo do circuito – e a IA não está tão errática quanto antes.
Ainda há situações extremas como frenagens do “nada” em linha reta e algumas ultrapassagens arriscadas ao ponto de te jogarem para fora da pista. Ao menos são exceções, e não a regra.
No geral eu agora ao menos vejo “Project Motor Racing” como um simulador com futuro. Pessoalmente adoro o sistema de ECU que detalha o uso de combustível e suspensão, o force feedback tanto em volantes mais antigos como o G27 ou em volantes Direct Drive está muito melhor; a desenvolvedora mais acertou do que errou com essa atualização. Em um ano que perdemos o modo carreira de “Asseto Corsa: EVO”, talvez a Straight4 Studios consiga encontrar uma base de fãs. Só espero que ela não imagine que todos aqueles que testaram o jogo ano passado irão voltar.
Pof fim, a desenvolvedora confirmou que o primeiro DLC pós-lançamento é o “Japanese GT500 Pack”. Ele sai em 31 de março por R$47,45 e conta com carros como o Nissan Skyline GT-R (R34) JGTC, e o Nissan Fairlady Z (Z33) JGTC. O circuito de Takimiya também faz parte do pacote. Espero que os carros já venham com as melhorias trazidas pela versão 2.0.
Veja o trailer e mais imagens da atualização 2.0 para “Project Motor Racing” abaixo.





