Em uma era que os gráficos 3D não chegavam a ser tão avançados quanto hoje em dia, junto com o rápido crescimento nas vendas de drives de CDs em computadores, a Cyan Worlds iniciaria em 1993 uma franquia de adventure Games que ficaria famosa pelos seus belos gráficos e puzzles impossíveis. Nascia a série Myst.

A história gira em torno de Artrus e seus dois filhos, Sirrus e Achenar. Artrus tinha o poder de criar livros que transportavam a pessoa para dentro do mundo deles, esses, chamados de Eras.

Tanto Sirrus como Achenar se tornaram gananciosos e começaram a viajar pelas Eras criadas pelo pai, matar os habitante delas e desejar tudo para eles. Artrus então os prendeu em livros especiais para evitar que isso continuasse. Até o estranho chegar em Myst.

O estranho, controlado pelo jogador, nunca teve sua identidade revelada pela Cyan Worlds. Ele encontrou o livro de Myst na Star Fissure, uma fenda de onde o livro caiu no novo México, é estimado que isso tenha ocorrido por volta de 1800.

Desde então o estranho reapareceu em quase todos os outros games da série, como Riven, Uru, Revelations e End of All Ages. O único game que não apareceu foi Uru: Ages Beyond Myst, considerado por muitos como um spin-off.

O adventure certo para um formato em crescimento nos PCs

Myst surgiu em uma época onde o CD-ROM começou a ser uma peça essencial nos computadores. Em 1993, estima-se que 97% dos PCs contavam com um drive. Muitos devem se lembrar do game por bundles lançados com drive de CDs e o Myst incluso. Naquela época, games como Tex Murphy, The 7th Guest já contavam com cenários em 3D pré-renderizados e pessoas de carne e osso como personagens. Mas o que alavancou as vendas foi a sua estética.

O gameplay era relativamente simples, utilize o mouse para movimentar o personagem e resolver quebra-cabeças.

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Remake de Realmyst foi lançado em 2014 no Steam

De tempos em tempos o jogador tinha uma cena com um dos NPCs, todos atuados por pessoas reais. Não havia uma maneira de interagir com eles, Myst nunca foi forte no diálogo entre o jogador e os outros personagens. Mesmo Myst V, de 2005, manteve essa estrutura.

O que atraiu as pessoas na época eram os seus gráficos, vale lembrar que em 1993 ainda era um ano antes do lançamento do PlayStation 1 no Japão e dois anos até ele chegar no ocidente. Apesar de hoje em dia terem envelhecido muito mal, a estética ainda é agradável.

A série Myst também ganharia versões para consoles como o PlayStation 1, Nintendo DS, Sega Saturn, Xbox 1 e Nintendo DS / 3DS. Recentemente alguns games estão disponíveis para plataformas mobile como iOS e Android.

Ao longo dos anos joguei muito adventures, praticamente todos da Lucas Arts, Os belos games de Benoît Sokal (Syberia, Amerzone), Gabriel Knight, dentre outros. Nenhum, nenhum me deixou tão furioso quanto os puzzles de Myst.

Se você jogou Silent Hill, com certeza se lembra do maldito puzzle do piano. No mundo de Myst, ele seria considerado um puzzle relativamente fácil. Além de difíceis, o jogo te dava pouca dica em relação a como resolvermos.

série mystPara vocês entenderem a complexidade: Riven, o segundo game da série, conta com um sistema de 25 números composto de cinco glifos que se sobrepõem. Em momento algum o jogo te ensina a como interpretá-los e o conhecimento dos mesmos é essencial para resolver muitos quebra-cabeças.

Mas não parava só em Riven, Myst V teria um quebra cabeça que envolveria encontrar constelações com um telescópio e novamente, sem dica alguma.

Vale lembrar que era uma época onde a internet ainda não estava em toda esquina, café, restaurante, aeroporto e por aí vai. Achar um “detonado” de Myst não era tarefa fácil, principalmente para quem morava no Brasil.

A transição dos cenários pré-renderizados para o 3D total foi conturbada para Myst. O primeiro título a fazer uso total disso foi RealMyst.

Lançado em 2000, o primeiro título da série refeito agora com total liberdade de movimento sofria de sérios problemas de desempenho, dificuldades de movimentar e clicar em itens. Atualmente um remake… do remake (sério) está disponível, o RealMyst: Masterpiece Edition. Esse aparenta ser consideravelmente melhor, apesar de não ter o jogado.

O segundo foi Uru: Ages Beyond Myst, considerado como um spin off da série. Ao contrário de seus antecessores, em Uru você fazia o seu personagem e jogava com uma visão em terceira pessoa (sendo possível alterar para primeira pessoa).

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Myst IV seria o último a usar cenários pré-renderizados e personagens em carne e osso.

Em 2003 a Cyan tentou um projeto no mínimo peculiar, o Uru Live. O serviço seria como um MMO de Puzzles, onde as pessoas se ajudariam a resolver os frustrantes quebra-cabeças de Uru.

Na época o serviço até chegou a ter alguns jogadores, mas ao longo dos anos foi cancelado e anunciado novamente diversas vezes. Quando comparado com RealMyst, o game era muito mais polido.

A Cyan Worlds iria acertar a jogabilidade em um ambiente 3D em Myst V – End of All Ages. Esse seria o primeiro game a não contar com personagens em FMV e o último a ser lançado até então.

Dado a problemas financeiros, atribuídos também ao desenvolvimento de Uru: Ages Beyond Myst, após o lançamento de Myst V quase toda a equipe da Cyan foi demitida. Graças as boas vendas, a Cyan World conseguiu se manter em pé e avançar com outros projetos.

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Myst V – belos gráficos para 2005

Por ser o mais novo, eu recomendaria Myst V como o ponto de partida para muitos, apesar de que Myst IV também não seria uma má ideia.  Além do que, para 2005 ele contava com belíssimos gráficos, não era um Farcry, porém.

Hoje em dia a série Myst, infelizmente, está morta. Apesar de boa parte dos títulos estarem disponíveis no Steam, tanto Myst III como Myst IV não estão à venda em nenhuma plataforma digital.

Atualmente a Cyan Worlds trabalha em um novo adventure com puzzles, Obduction. Após conseguir mais de um milhão de dólares no final de 2013 com um Kickstarter, o game será feito na Unreal Engine 4, mas ainda não tem uma data de lançamento.

Onde foram parar os adventure games?

Apesar de existirem games como Ether, Mind of Patalamos e mais recentemente, The Vanishing of Ethan Carter, o gênero adventure no geral deu uma diminuída no ritmo de lançamentos.

As publishers hoje em dia consideram um investimento de risco, já que é um mercado de nicho que nem sempre oferece um retorno financeiro seguro. Com o Kickstarter, porém, alguns grandes séries voltaram e tem lançamentos previstos para o próximos meses e anos.

Além de Obduction, Dreamfall Chapters (continuação de The Longest Journey e Dreamfall), o Remake do primeiro Gabriel Knight, Syberia III, a segunda parte de Broken Age e o remake de Grim Fandango estão em desenvolvimento.

Já para adventures em primeira pessoa, 2014 foi um ótimo ano, tivemos lançamentos como Ether One, The Vanishing of Ethan Carter, Among the Sleep, Jazzpunk, dentre outros. É um gênero que evoluiu ao longo dos últimos dez anos e incorporou muitos elementos de outros.

Pode não lembrar as mecânicas que tínhamos em 1993, mas graças aos desenvolvedores independentes, eles têm ressurgido de maneira espetacular. Que nos tragam mundos fantásticos para explorar e mais puzzles para nos deixar loucos por semanas até acharmos a solução.

Relembrando a série Myst – um marco nos adventure games

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Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.