“Ah, mas só tem um tipo de essência, não deve ser tão difícil, certo?” A famosa frase que se solta antes de tomar na cabeça por subestimar a complexidade de um jogo. Foi o que aconteceu comigo com a versão beta de “Obscurium”. O título da Wild Pepper Games, que venho jogando há um tempo, foi confirmado para lançamento em 2027 e tem um delicioso toque de brasilidade.
E quando digo “toque de brasilidade”, não é aquele jogo em que tem uma menção ou outra do Brasil. “Obscurium” é um deckbuilder com elementos roguelite que pega como principal fonte de inspiração o folclore das diversas regiões do país. Do uso de uma carranca para alternar o turno do jogador para o do inimigo, as diferentes cartas – de uma cobra coral a uma clara faca de cozinha bem brasileira.
No que diz respeito a jogabilidade em si, “Obscurium” me lembra bastante o conceito de “Inscryption”, outro queridinho meu. Em suma, você tem um limite de “área” onde você pode colocar as cartas e saber qual e que tipo de carta posicionar é praticamente essencial para vencer a mais simples da batalha.
“Mas Lucas, como você vence uma batalha?”. Ótima pergunta, caro leitor. Como todo bom deckbuilder, você precisa acertar o oponente uma quantidade específica de vezes para acender cristais e completar um ritual. Ou seja, reduzir os pontos de vida da criatura que está na sua frente. Seja ela um monstro aleatório ou um dos chefões — estes, tirados também do nosso folclore.

O que me fez cair de paixão por “Obscurium” mesmo foi o seu sistema de essência e cartas. Cada carta custa um ou mais pontos de essência, mas o método principal de obtê-las é por meio de “sacrifício” de uma carta específica – o que impede que você pegue uma carta do seu deck no início do turno caso não a tenha em sua mão – ou ao “sacrificar” cartas que já estão na sua mão.
Confesso que eu sofri um tanto para decidir que cartas sacrificar e quais cartas manter na minha mão se eu quisesse ganhar. A Wild Pepper Games usou e abusou da criatividade para desenvolver cartas interessantíssimas em seus efeitos. Do “Chumbo Grosso”, que usa toda a sua essência para causar um dano massivo no inimigo – excelente para chefões – até a “Cobra Coral” que tem iniciativa e ataca no mesmo turno que é colocada na mesa.

Isso sem falar nos artefatos como “sal grosso”, figas entre tantos outros que dão bônus de iniciativa, aumentam o uso de essência e dano. O espírito “Brasil” está pelo jogo todo – incluindo o mapa da campanha que se passa por diferentes regiões – do sudeste ao norte do nosso país.
Sinto que eu apenas arranhei a superfície da complexidade que a versão final de “Obscurium” vai oferecer, mas eu já digo com tranquilidade que é bem possível que ele fique lado a lado de jogos como “Cross Blitz” — um dos meus favoritos de 2025 — quando for oficialmente lançado.







