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Análise – Total War: Shogun 2 – Complete Edition

Lucas Moura por Lucas Moura
13 de outubro de 2026
em Análises
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Shogun 2

Você quer ver um dos melhores exemplos de quanto a franquia “Total War” mudou ao longo dos anos? Jogue uma batalha em “Total War: Warhammer III” ou até “Total War: Pharaoh” no modo normal. É bem provável que você vença sem grandes problemas, mesmo se não tiver muita experiência. Repita o mesmo processo em “Total War: Shogun 2”, e o seu exército vai ser dilacerado. Ao menos foi assim comigo em “Total War: Shogun 2 – Complete Edition” (Steam).

Existe um motivo bem claro pelo qual “Total War: Shogun 2” é tão venerado dentro da comunidade. Ele veio após duas tentativas desastrosas da Creative Assembly de expandir o conceito da franquia – “Empire” e “Napoleon” – e tinha uma campanha enxuta e ao mesmo tempo complexa. Além do que, após mais de uma década focada no ocidente, a mudança de ambientação foi muito bem-vinda.

Ao contrário do que “Total War: Rome Remastered” fez, “Total War: Shogun 2 – Complete Edition” é menos uma repaginação drástica e mais um conjunto de alterações pontuais e adições para quem já está mais do que cansado de jogar as mesmas campanhas com as mesmas facções. A inclusão de facções minoritárias – embora muitas delas já houvessem sido liberadas por meio de mods – é uma das maiores diferenças em termos de opções de campanha. Fora isso, você vai ter quase a mesma experiência de jogar “Total War: Shogun 2” como se fosse 2011. É aí que entra a parte importante, o “quase”.

“Total War: Shogun 2 – Complete Edition” vem acompanhado de, além de uma série de mudanças visuais, uma lista extensivíssima de correções de bugs que estavam presentes desde que a última expansão, “Fall of the Samurai”, foi lançada no início de 2012. As correções vão de pequenos aumentos ao percentual de chance de que uma ação furtiva funcione até ajustes maiores como mais bônus de buffs e ou debuffs em praticamente dezenas de classes de unidades.

Por consequência, batalhas “Total War: Shogun 2 – Complete Edition” e “Total War: Shogun 2” são similares de um ponto de vista bastante superficial de jogabilidade, mas tão diferentes nos seus resultados, dado as correções de bugs, que o próprio processo de como vencer uma batalha precisa ser repensado.

Edition” é o quanto os arqueiros inimigos controlados pela IA agora utilizam as árvores dos mapas para se esconder e atacá-lo de surpresa. Foi-se o tempo em que eles desciam as encostas de morros só para ficar centímetros mais perto à toa (e virando presas fáceis para a sua cavalaria).

A própria IA – no que diz respeito às batalhas em campos abertos – está muito mais esperta no que tange a defesa de flancos e hesita em fazer movimentos arriscados, como subir áreas que claramente irão deixar as suas tropas cansadas. Se você tinha qualquer técnica “arroz e feijão” para vencer as batalhas terrestres, jogue-as no lixo; elas provavelmente não vão funcionar em “Total War: Shogun 2 – Complete Edition”.

Ver essa mudança me deixou, no mínimo, eufórico. Eu sempre fui um grande crítico de como a IA se portava em “Total War: Shogun 2”, e ao longo das variadas campanhas que fiz na “Complete Edition”, eu sempre me senti desafiado; notei que tinha que tomar cuidado com as minhas tropas e não tentar abranger uma grande área do campo de batalha – uma tática clássica minha que funcionava muito bem e agora não mais.

No outro lado da moeda, pouquíssimo foi feito para aprimorar as áreas que de fato precisavam de atenção, como batalhas navais e cercos a castelos. Quem é veterano da franquia sabe muito bem que a Creative Assembly sempre teve dificuldade para “acertar a mão” nesses dois elementos. Ouso dizer que o único sistema de cerco que funcionava parcialmente era o de “Medieval II”, e ainda assim requeria um nível de microgerenciamento de unidades excessivo. Já as batalhas navais, bem, quanto menos eu falar sobre o quanto eu as detesto, melhor.

Eu não sei quanto aos outros jogadores, mas eu sempre desgostei das batalhas de cerco de “Shogun 2”. Em parte, pela IA – tanto do jogador quanto do oponente – não conseguir compreender a complexidade do terreno e a posição de castelos, e pela ausência de mais ferramentas de destruição (a não ser que você jogue “Fall of the Samurai).  “Total War: Shogun 2 – Complete Edition” tinha a oportunidade de ouro de melhorar os sistemas de cerco, fazer com que a IA fosse mais intuitiva e entendesse melhor o que fazer. O que a Creative Assembly fez? Quase nada.

Outra vez, na superfície elas saíram do patamar de “irritantes” ou “demasiadamente longas” para “toleráveis”. Mas se você jogou “Shogun 2” previamente e se irritou pela quantidade de vezes que você teve que clicar só para que a sua infantaria entendesse que tinha que usar ganchos para escalar as paredes do castelo, limpe o seu mouse, pois você vai ter que clicar na mesma frequência – se não mais.

Aliás, limpar o mouse e o teclado é mais do que uma recomendação nos cercos de castelo; é quase uma obrigatoriedade agora, já que a IA dos seus arqueiros, ironicamente ao que eu pontuei anteriormente acima, não sabe muito bem o que fazer quando as tropas inimigas saem 1cm do campo de visão. “Ué, por que vocês pararam de atirar?”, eu me perguntei. Os arqueiros estão economizando flechas? É um bug novo que ainda não foi documentado? Depois de múltiplos cercos de castelos, eu ainda não tenho uma resposta clara.

Mas o que acaba com a minha paciência são as batalhas navais. Se antes a IA era desnecessariamente defensiva no modo, ela redobrou os seus esforços em praticamente não se mover do lugar até que você tome a iniciativa. Mais uma vez, soa como uma estratégia sensata por parte da IA — até você perceber que toda batalha naval agora se reduz para “quem transforma o barco do inimigo em um túmulo de madeira em chamas” o mais rápido.

Flancos? Invadir os barcos inimigos? Ter barcos-chave para incentivar as suas tropas? Que se dane tudo isso, diz “Total War: Shogun 2 – Complete Edition”: o negócio mesmo é tacar fogo em tudo. Nem mesmo barcos munidos de canhões – outra adição de “Fall of the Samurai” — são páreos para uma chuva de flechas.

Shogun 2

Se eu soo frustrado com “Total War: Shogun 2 – Complete Edition”, é que em partes eu de fato estou. Pois há momentos em que as adições que a Creative Assembly fez são, de fato, ótimas.

O novo mapa de campanha, embora o seu visual seja “ame ou odeie” — e eu pessoalmente gosto bastante da mudança de tons —, agora torna muito mais fácil de compreender quais são seus aliados, quais facções são indiferentes ou hostis para você, ao invés de ter que navegar por dezenas de menus.

Eu também particularmente gosto muito do sistema de controle de unidades mais moderno em comparação com o sistema antigo de formações, no qual eu tendia a lutar – e muito – para conseguir colocar as minhas tropas de forma defensiva da forma que eu tanto queria. A visão aérea, outra adição trazida de versões mais modernas de “Total War”, também é muitíssimo bem-vinda para batalhas com mais de dois exércitos — o que eventualmente vai acontecer nas partidas mais tardias de “Total War: Shogun 2”.

Os visuais das batalhas então, nem se fala. Sei que vai ser outro ponto de contenção dentro da comunidade, mas confrontos noturnos ou em nevoeiros nunca foram tão belos em “Shogun 2” quanto os que presenciei na “Complete Edition”.

Shogun 2

Agora salte disso para um sistema de “acordo rápido”, que só funciona quando se diz respeito a alianças ou acesso militar, um atalho que ainda me questiono o porquê de ele estar lá. Arranjar casamentos, estabelecer rotas comerciais? Tudo isso ainda tem que ser feito manualmente. Por que, então, não repaginar o sistema todo de uma vez só para que o acordo rápido também inclua essas possibilidades? “Total War 2: Shogun – Complete Edition” está repleto dessas pequenas inconsistências que me fazem questionar, e muito, a sua existência.

Até mesmo as novas facções minoritárias, algo que muito bem poderia ser motivo de celebração dentro da comunidade, receberam pouquíssima atenção. Elas estão lá para quem quer jogar com elas, mas não possuem bônus ou atributos que de fato as diferenciem das facções majoritárias.

O resultado? As mesmas táticas de sempre – quando adequadas para a nova IA de “Total War: Shogun 2 – Complete Edition” – funcionam. Você vai ter algumas batalhas mais difíceis nos primeiros turnos, ainda mais se escolher Honma, a única facção que começa em uma ilha, mas assim que desembarcar em terra e conquistar um território do seu inimigo, você retorna para o “modelo padrão” de “como jogar Total War: Shogun 2”.

Shogun 2

Eu não quero menosprezar o trabalho que a Creative Assembly fez em “Total War: Shogun 2 – Complete Edition”. O simples fato de que eu tenho que repensar como atacar um inimigo em uma batalha em terra já é um imenso salto em qualidade que eu não esperava. Mas outras adições são tão irrelevantes para a “pintura geral” do que é uma campanha de “Total War: Shogun 2”, que me questiono se a decisão de “não mexer onde está ganhando” foi feita de um ângulo consciente ou por medo de enfurecer ainda mais a comunidade.

Claro que há ganhos a longo prazo com “Total War: Shogun 2 – Complete Edition”, como a introdução de um executável de 64-bits, que agora vai liberar mais espaço de memória e, quem sabe, abrir uma nova era de mods. Por outro lado, esses frutos vão demorar muito a surgir – isto é, se surgirem. “Total War: Rome Remastered” foi lançado em 2021 e só agora em 2026 que vejo mods que fazem um ótimo uso da nova estrutura.

“Total War: Shogun 2” ainda é um jogo ótimo e um excelente “Total War”. Entretanto, esses méritos não são da “Complete Edition”. Tudo o que já era ótimo no anterior — como as diferentes facções, as tensões entre elas, e como a campanha pode dar uma guinada para o inesperado — já estava presente em 2011. Uma remasterização com o escopo da “Complete Edition” faz muito pouco para torná-los mais pronunciados. Se algo, eu acredito que “Shogun 2” merecia mais, muito mais, do que uma mera “Complete Edition”. Ao menos da forma que a Creative Assembly interpreta, no momento, o conceito de remasterização.

Total War: Shogun 2 – Complete Edition

Total - 8

8

A existência de “Total War: Shogun 2 – Complete Edition” é uma difícil de compreender. Por um lado, há um jogo que melhora aspectos visuais, interface, e alguns ajustes pontuais na IA. Por outro, tudo o que torna “Shogun 2” especial não vem das adições trazidas pela remasterização, mas dos méritos do jogo original de 2011. Se essa for a sua primeira interação com o clássico, é uma boa porta de entrada, mas para quem é veterano e se importa muito pouco com gráficos, não há motivos suficientes para dar preferência a ele.

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Tags: estratégiaestratégia em tempo realestratégia em turnosShogun 2Total War
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Lucas Moura

Após trabalhar em revistas e sites como EGW e BABOO, Lucas fundou o Hu3BR pela sua paixão em jogos de estratégia, indies e a interconexão entre sistemas e emoções humanas.

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