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Análise – RIDE 6

Lucas Moura por Lucas Moura
9 de março de 2026
em Uncategorized
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Ride 6

Eu tenho um misto de fascinação e quase completa incredibilidade pelo trabalho da Milestone. A equipe italiana, mais conhecida por jogos de motociclismo, é o que eu defino como o “ápice” da inconsistência. Em um ano ela vai produzir algo incrível, como a franquia “Hot Wheels Unleashed” (crítica), noutro, algo decepcionante como “Monster Jam Showdown” (críticas). Após dezenas de horas com “RIDE 6” (Steam / Playstation 5 / Xbox Series S/X), eu espero que esse seja o novo patamar almejado pela desenvolvedora.

Por anos a desenvolvedora tentou agradar dois públicos cujas “ideologias” tendiam a se alinhar apenas em uma área: “Gostamos de motos”. Por um lado, aqueles que buscam um jogo mais “arcade”, sem grandes compromissos ou a necessidade de “aprender” as pistas. No outro, aqueles que viam jogos de motociclismo como um “portal” para um projeto mais voltado para simulação — algo que, nem eu pessoalmente acredito que venha a acontecer, não em sua plenitude como outros tipos de veículos. Em que precisão, dedicação e cautela eram recompensados com voltas mais rápidas e, quem sabe, um podium.

Em grande parte, “Ride 6” é a desenvolvedora, do seu próprio jeito, jogando a toalha e falando “Quer saber? Joguem da maneira que vocês quiserem”, e separando o jogo em modos “Arcade” e “Pro”. Uma jogada que eu nem sempre concordo, mas que a Milestone implementou da forma mais “conveniente possível”.

Se você nunca jogou a franquia “Ride” e só quer um jogo onde você dirige motos em dezenas de circuitos, eu não acharia um título mais adequado do que “RIDE 6”.

Ride 6
Visual de “festival” é uma estética estranha para “RIDE 6”, mas não é uma que me incomoda.

O modo arcade é o puro suco do “aponte a moto para onde você quiser e só acelere”. Ao invés da equipe, como fez em “MotoGP 25” e outros títulos da franquia “RIDE”, adaptar o modo “Pro” para algo mais “casual”, ela refez a jogabilidade de forma que as motos praticamente fiquem “fixas” no chão. Não importa a badernagem que você fizer com a moto. Ao ponto de falar, com tranquilidade, que ele praticamente idêntico ao modo avançado de “RIDE 4”, apontado por muitos, inclusive por mim, como o ápice da franquia.

Sei muito bem que o parágrafo acima é quase contraditório. Se o modo avançado de “RIDE 4” é equivalente ao modo arcade de “RIDE 6”, então o que significa o modo “Pro”? Para os iniciantes, sofrimento.

Se os jogos anteriores de “RIDE” deixaram muitos a desejar no que diz o aspecto simulação, eu saltei de felicidade ao ativá-lo. Frear mais cedo em uma curva pode ser uma jogada eficaz em motos leves, mas possivelmente fatal com motos mais pesadas e mais potentes. Pela primeira vez na franquia eu de fato senti que o jogo conseguiu transmitir bem a ideia de transferência de peso e como cada moto se comporta dentro da pista.

Por consequência, “RIDE 6” no modo “Pro” é o primeiro da franquia que eu sinto que cada moto tem a sua própria identidade. Sair de uma scooter para uma CBR 1000 é quase como reaprender a dirigir. Pontos de frenagem precisam ser reavaliados, e até mesmo o quão você pode ou não “abusar” e dar aquela acelerada em uma curva mais aberta.

Para contrabalancear isso, a Milestone introduz um robusto e até agora o melhor (mas não sem falhas) modo de treinamento e aprendizado em “RIDE 6”, a “Bridgestone Racing School”. Ela oferece não apenas dicas de pilotagem, mas é repleto de pequenos desafios que são postos em prática em prática nas mais diferentes condições climáticas.

Com a separação entre modo “arcade” e “Pro”, nova escola de aprendizagem é um passo na direção correta, mas ainda pode melhorar.

Também é uma maneira da Milestone apresentar as melhorias no sistema climático da franquia. As corridas de “RIDE 6” agora possuem acúmulo de água gradual, e agora criam uma “linha ideal” em condições chuvosas. Este é um sonho meu realizado. Estava mais do que cansado de partidas com chuva onde a única opção era “derrapar muito” ou “não derrapar pois o jogo não leva em consideração o acúmulo de água”.

Outra adição notável, talvez a minha favorita, são as “Mugello Challenges”. Voltada para pilotos avançados, elas funcionam mais como uma “experiência de pista” onde você vai aprender os pontos de frenagem ideais da grande maioria dos circuitos do jogo, e a diferença crucial entre os freios dianteiros e traseiros. Digo que é essencial até mesmo para quem já tem um histórico com “RIDE”, ainda mais para aqueles que pensam em jogar no modo “Pro”.

As maiores deficiências do modo de treinamento se resumem a duas áreas: largadas de moto e falta de explicação de termos mais avançados (mais sobre o segundo ponto em breve).

Quanto as largadas, “Bridgestone Racing School” carece uma explicação e exemplos competentes de como dar uma largada da maneira “correta” em motos mais potentes. Pode se preparar para levantar as rodas dianteiras múltiplas vezes até pegar o jeito de como acelerar e quando você deve (ou não) mudar a marcha. Dito isso, nada que o tempo e treinamento não resolva.

Voltando ao elemento principal de “RIDE 6”, as motos, é perceptível que a Milestone dedicou mais tempo a motos mais “icônicas”, e menos a motos que ou já não faziam parte do repertório da franquia “RIDE”, ou que foram introduzidas juntas com novas categorias para a repaginação do modo carreira. Ou, melhor falando, do modo “eventos”.

Modo carreira flexível e com objetivos variados é uma das melhores adições feitas em “RIDE 6”.

Trilhando o caminho de tantos outros jogos de corrida modernos, “RIDE 6” traz uma estética um pouco mais de “festival” similar a de jogos como “Forza Horizon” e “The Crew: Motorfest”.Não, ele não virou open world e a maioria das mudanças são meramente cosméticas.

Ao invés de um podium tradicional, você agora tem um DJ ao lado das motos vencedoras e a trilha sonora segue um estilo mais “música eletrônica” do que as sinfonias ou músicas mais “lentas” que vinham nas edições anteriores. Não é algo para se descabelar, e mantém o espírito da franquia vivo apesar das mudanças. O que não mantém – aliás, sequer tem – é a introdução de modos de corrida offroad.

Ironicamente, a mesma empresa que produz “Monster Energy Supercross” não consegue implementar motos offroad em “RIDE 6”. Eu não hesitei em mudar a experiência para o modo “Arcade”, pois no “Pro” o jogo não dava o feedback necessário para saber se eu estava prestes ou não a derrapar, e a IA era especialmente agressiva em corridas offroad, muitas vezes me empurrando para fora da pista ou colidindo e causando um acidente.

Por falar em IA, ela está, no geral melhor do que as versões anteriores de “RIDE”, mas ainda tem inconsistências. Se você começar a dirigir com imprudência no modo “Pro”, ela vai facilmente te ultrapassar e deixar você comendo poeira. Além disso, há uma constante “tensão” entre outros pilotos que fazem com que eles mesmos possam colidir ou sem querer sair da pista. Boa sorte evitando um empilhamento. Pode soar frustrante, mas para mim é o que torna a IA de “RIDE 6” mais próximo da “realidade”.

RIDE 6
Modo Offroad não empolga, mas pode ser facilmente ignorado. Recomendo.

No entanto, há momentos, ainda mais em pistas mais populares como “Laguna Seca” ou a famosa “Blue Wave” criada pela própria Milestone, onde a IA vai seguir uma linha pré-definida e ai de você querer cruzar ou tentar uma ultrapassagem. Nada tira os outros pilotos do caminho, mesmo que isso signifique uma colisão. Sendo alguém que viu as mais diferentes evoluções da IA de “RIDE”, a de “RIDE 6” foi com a qual eu mais me diverti.

Estendo esse mesmo elogio para o novo modo de carreira, que embora eu pareça que eu tenha feito “desdém” acima ao comparar com jogos como “Forza Horizon”, ela é muito mais motivadora do que a tradicional “chegue em primeiro lugar” que a franquia usou desde sempre. Algumas das dezenas de pistas — um número invejável e de longe o maior da franquia — vão requerer que você de fato chegue em primeiro lugar, mas outras vão te pedir para bater o melhor tempo ou ultrapassar um oponente em específico. A flexibilidade que a Milestone oferece em termos de objetivos é enorme, e um elemento que espero que ela leve para o futuro da franquia.

O que eu não quero que ela carregue para frente são decisões que de fato prejudicam o jogo, como o lançamento de um dos componentes principais para quem joga no modo “Pro” – a personalização dos componentes da moto – em um modo beta.

RIDE 6
Agora, a sensação de velocidade? Ela continua fantástica.

O sistema por si só é confuso pela sua nova nomenclatura. Em suma, certas motos requerem que você compre componentes “melhores” para poder ajustá-los, outras não. A diferença está na cor atrelada à moto. Se ela possuir um símbolo em azul, você precisa de novos componentes, se o símbolo for vermelho, ela já está “preparada” para corrida e pode ser ajustada sem custos adicionais. Em momento algum o jogo deixou claro isso, e só descobri fuçando no sistema enquanto tentava bater o meu melhor tempo no circuito de Suzuka. Uma introdução básica no “Bridgestone Racing School” já estaria de bom tamanho.

Todavia, mesmo com esses pequenos problemas – pois, convenhamos, diante do quadro geral de “RIDE 6”, eles são minúsculos. Ele é, de longe, o melhor que a Milestone já fez. É um grande avanço, ainda que não seja o salto que eu imaginava, em comparação a “RIDE 5”. É a primeira vez que eu sinto que a desenvolvedora está finalmente saindo da terrível sombra de “RIDE 4” que pairava sobre ela. E, para nós amantes de motos que “sofremos” nos últimos anos, agora estamos vendo a luz no fim do túnel.

RIDE 6

Total - 9

9

Com um modo carreira flexível, ótima seleção de pistas e motos, “RIDE 6” consegue o que muitos veem como impossível: ser acessível para quem quer diversão pelo modo arcade e ainda desafiador com o modo de jogo “Pro”. As motos estão mais realistas, e a chuva agora impacta a corrida. Apesar ainda ter problemas na IA, e ajustar os parâmetros de uma moto não é tão intuitivo, este é o jogo que finalmente suplanta “RIDE 4”. Algo que eu jamais imaginei que fosse acontecer.

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Tags: análisejogo de corridaReviewride 6
Lucas Moura

Lucas Moura

Após trabalhar em revistas e sites como EGW e BABOO, Lucas fundou o Hu3BR pela sua paixão em jogos de estratégia, indies e a interconexão entre sistemas e emoções humanas.

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