Análise – Europa Universalis IV: Third Rome

Se fosse listar os DLCs ou expansões mais dispensáveis criadas pela Paradox, Third Rome para Europa Universalis IV facilmente ficaria entre a segunda e terceira posição. Agora, uma lista com DLCs decepcionantes e a batalha pelo primeiro lugar seria muito disputado entre ele, Leviathans e Together for Victory. O primeiro Immersion Pack é algo complicado de se gostar.

Immersion Packs são uma peculiar proposta da empresa para adicionar mais conteúdo e complexidade para um país ou um grupo étnico de Europa Universalis. No caso de Third Rome, a Rússia e as nações que fizeram parte de sua formação. Ou seja, é o equivalente de um pão na chapa no mundo dos DLCs da Paradox enquanto Mandate of Heaven ou Art of War são o prato principal e a sobremesa. Porém, eu não acho que um jogo necessariamente tenha de ser mensurado em termos puramente monetários. Aliás, acho que esta é a menor das preocupações que a Paradox tem que ter em relação a Third Rome. O problema em si está no design.

Tanto Europa Universalis IV como Crusader Kings II, dado a data de lançamento e política de lançamentos constantes de DLCs e expansões sofrem de um inchaço de conteúdo. Ora temos um DLC competente, mas que se perde em meio a tantos outros, ou um que destrói completamente o equilíbrio de poder entre as nações. Thid Rome não é um nem outro, ele parece feito em uma bolha sem a menor consideração ao restante do jogo.

Na busca de incluir mais identidade a região, como a não-necessidade de abraçar ideias ocidentais e usar colonizadores para a Sibéria, Third Rome transforma a Rússia em uma mistura de influências sem a menor coesão. Até certo ponto “corretamente” histórico quando se pega a história de consolidação pela Muscóvia, as cidades de Novgorod, Tver e os diferentes grupos — como os cossacos — que fazem parte de sua evolução.

Porém, quando você coloca as adições do DLC sob uma luz que bate diretamente em contraste com o restante de Europa Universalis IV, nota que não faz sentido. A região de Novgorod agora começa como uma república Veche, com bônus de + 1 merchant ou o Principiality, que é o governo monárquico das regiões Russas e adiciona +5% de modificador de Tax.

Para quem gosta de brincar de min / max no Europa Universalis IV é uma ótima notícia já que você vai ter ainda mais botõezinhos para mudar o governo, conquistar uma região, etc. Para mim é adicionar nuances onde não precisa. Somente os Czares, que eu esperava ser o foco principal tem algum valor restante. Eles recebem três novas habilidades, alguns eventos que raramente são ativados e a opção diplomática de reivindicar um estado por pouco mais de 50% de um valor de uma província. Pronto, acabou o DLC.

É o tipo de mecânica que você olha uma vez e pensa “Ah, legal, eu tenho essa opção” e esquece dela cinco minutos depois. É justamente disso que eu falo quando eu comento de um inchaço em Europa Universalis IV, só que pior ainda.

Third Rome

Se fosse o caso de um Crusader Kings II, cuja campanha tem centenas de anos de duração, um mundo em constante mudança, e foco no micro gerenciamento ou um Hearts of Iron IV, onde a posição do governo implica severamente em como a guerra vai desenrolar. Europa Universalis IV é focado no macro, é focado em criar uma mancha gigante no mapa e estender os seus tentáculos por todas as regiões. Um governo que vai durar dez ou quinze anos é uma gota d’água em um oceano.

O mais bizarro de toda a situação é que a Paradox tem algum momento de clareza e na mesma atualização que insere Third Rome no jogo, adiciona novas mecânicas para quem possui Mare Nostrum e Cossacks. Nações que possuem colônias agora podem força-las a entregarem seus marinheiros, uma nova unidade para a cavalaria cossaca foi adicionada e três novas interações com o estado cossaco inclusos.

Três itens, três elementos que amarram melhor outros dois DLCs de Europa Universalis IV ao restante do jogo e que trazem mais impacto a longo prazo do que um novo governo para Novgorod. Quanto mais na campanha me aprofundava, menos da influência de Third Rome eu via.

Tipicamente fico até entusiasmado quando começo uma partida em um dos novos DLCs da Paradox, mesmo que não seja do estilo que eu estou acostumado. Third Rome, pela primeira vez, me fez ficar mais empolgado com as mudanças trazidas na atualização 1.22 (Russia) do que ele. Bom, ao menos o modo de mapa de autonomia de províncias mostra o limite de autonomia de cada uma delas e isso é bem útil.

“Ah Lucas, mas se fizessem um Immersion Pack para uma nação que você prefere jogar, como a Inglaterra, você não ficaria contente? ”. Não necessariamente, até então tudo o que foi aplicado em Third Rome eu considero supérfluo. É a repetição do mesmo erro que já tanto falei em outras críticas sobre como as empresas maiores tratam a superficialidade de sistemas em jogos open world, porém aplicados em Grand Strategy. Um sistema tem de ser complexo caso haja motivo para essa necessidade e simultaneamente não pode ser impenetrável para o jogador que quer aprender. Além de todos os problemas, o Immersion Pack é ainda mais uma barreira para novatos em Europa Universalis.

Third Rome é o famoso “DLC do domingo à tarde chuvoso”, é o tipo de opção que eu vou escolher em última instância. Não cativa, falha em trazer alguma relevância para Europa Universalis, e até mesmo para o grupo de ideias Russos e destoa de outras adições da Paradox para o game. Se essa é a ideia de Immersion Packs, começou com o pé esquerdo.

Europa Universalis IV: Third Rome

Total - 6

6

A proposta de escopo limitado dos Immersion Packs sai pela culatra. Third Rome complica onde não deve, inclui o que não precisa e falha quando precisa cativar. Junto com o DLC El Dorado, uma das mais destoantes ideias da Paradox para Europa Universalis IV.

Análise – Europa Universalis IV: Third Rome

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- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.