Análise – Crusader Kings 2: Monks and Mystics

Da última vez que sentei para escrever sobre Crusader Kings 2 com The Reaper’s Due, disse que o importante são os pequenos detalhes que causam o maior impacto. Lição aprendida e aplicada mais uma vez em Monks and Mystics, disponível no Steam por R$27,99.

A expansão traz à tona mais uma vez o lado intimista do game, o estabelecimento de relações e a criação de tramas por meio de interações entre personagens. Como o próprio nome já diz, o foco fica para a inclusão de sociedades — tanto abertas quanto secretas —, espalhadas pelo mundo todo.

Antes de mais nada, vou deixar claro já que sim, você pode se tornar um satanista, fazer sacrifícios a Lúcifer e invocar seres. Apesar de tender para o reino da fantasia, as sociedades escondem uma faceta muito mais envolvente do que apenas uma mecânica focada em gerar conteúdo para o jogador.

As relações em Crusader Kings 2 de maneira geral ocorrem dentro de uma bolha. Dado o período histórico, você não vai se importar tanto com uma guerra que ocorre no oriente se ela não te afetar diretamente. O funcionamento das sociedades reduz este espaço entre o isolamento do rei em seu castelo e os súditos de uma outra corte.

Dentro das sociedades, todos assumem uma cadeia hierárquica, mas não estão expostos aos preconceitos de credo ou religião. Nelas, todos são um. A dinâmica de interação com outros personagens muda, a sua visão de mundo é afetada. Aquele duque que você tanto desejava a posição agora pode ser um membro de alto escalão dentro da sua sociedade e a imagem que ele tinha de você agora reflete algo mais amigável.
Joguei como um duque com o desejo de poder, de conquistar terras e se tornar um rei. Dado minha atual situação financeira e as constantes revoltas na região, pouco podia fazer. A ideia inicial era conquistar a província próxima à minha e a partir deste ponto, expandir. Foi então que decidir entrar em uma seita.

Meu vizinho agora tinha uma opinião muito mais favorável a mim do que anos antes, enquanto outros me olhavam de forma hostil. “Herege” era o que passava pela cabeça deles. O conceito de religião e o que ela significa no período é posto em cheque a medida em que progride nestas sociedades. “Seria uma boa ideia me manter aliado ao Papa da forma que estava antes? ”, me questionava ao mesmo tempo em que submetia membros do alto clero a sacrifícios em nome de Satanás. O jogador deixa ainda mais de ser a constante peça central que reformula um baralho até que esteja da maneira que gosta, mas sim realiza uma troca constante de ideais e noções com outros personagens.

Monks and Mystics

Sob um olhar minucioso, Monks and Mystics tem muito a falar sobre o entrelaço entre os prazeres do homem e os desejos de uma religião dentro do universo de Crusader Kings 2. Até que ponto o jogador deve se submeter as seitas, qual é o ponto de equilíbrio entre ser consciente das decisões, fazer o que for melhor para o seu reino ou para um bem maior?

As sociedades não somente expandem, como guiam. A inclusão de missões é um passo à frente para a Paradox conseguir melhor estabelecer uma direção a ser seguida. Um facilitador, digamos assim, sem que o game perca a identidade de ser livre para a imaginação do jogador e repleta de segredos.

Durante uma excursão, encontrei um ferreiro que me disse: “Faço uma ótima espada para você, contando que me pague o dinheiro”. Hesitante, optei pela melhor. Tal espada, que agora faz parte do meu repertório de equipamento — outra adição da expansão — me torna mais ágil em combate e um melhor líder militar.

Nestas horas que Monks and Mystics se sobressai em relação ao Together for Victory e o Leviathan Story Pack para Hearts of Iron IV e Stellaris, respectivamente. A Paradox sabe como injetar personalidade em personagens que em outros jogos seriam apenas um avatar do jogador e Crusader Kings 2 é perfeito para isto. Os outros ainda não possuem estruturas que sustentem tais mecânicas.

Com cinco anos desde o lançamento, cada partida com uma nova expansão é uma alegria e Monks and Mystics, ao lado de The Reaper’s Due, Charlemagne e The Old Gods, torna-se quase que essencial para aproveitar ao máximo o Grand Strategy.

Um caso onde menos é mais, uma expansão que mostra como que uma sociedade pode desestabilizar um reino inteiro. Seja se tornar um monge, louvar Satanás ou buscar conhecimento nas estrelas, Crusader Kings 2 toma novas e interessantes formas, que me fazem pensar no que o futuro nos reserva para a franquia.

Crusader Kings 2: Monks and Mystics

Total - 9.5

9.5

Simples adições que causam um grande impacto na partida fazem com que Monks and Mystics seja uma das mais bem produzidas expansões para Crusader Kings 2. Personagens ganham mais ênfase, novas portas se abrem e narrativas estão prontas a serem exploradas.

Análise – Crusader Kings 2: Monks and Mystics

About The Author
- Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.