Análise – Crusader Kings 2: Jade Dragon

Em 2012 Crusaderr Kings 2 foi lançado com um considerável alvoroço. Um game ambientado na idade média cujo foco estava nas relações interpessoais, intrigas e o desenvolvimento do personagem. Agora cinco anos depois, inúmeras expansões e após sentar para jogar a mais recente – Jade Dragon (Steam) – eu não tenho a menor ideia do que está acontecendo.

A sensação de começar uma partida com a expansão Jade Dragon não foi muito diferente das que fiz com Rajas of India. O euro centrismo do game, diferente do que existe em jogos como Europa Universalis IV – capazes de comportarem mais estilos e culturas – prejudica imensamente qualquer sensação de que as mecânicas adicionadas têm algum peso as minhas decisões.

A China, que por algum motivo, era desejada por muitos fãs, surge como um elemento de suporte fora do mapa. Ou seja, você pode influenciá-la via tributos para garantir bônus para a sua nação, melhorá-la consideravelmente, ou pedir apoio em guerras. A minha dificuldade de ter algum interesse pela nação não atribui do fato que ela está no mapa ou não, mas sim dos países influenciados por ela.

Caso siga um caminho histórico, somente as nações próximas à china terão acesso a ela, o que já é um tapa na cara de quem não possui Rajas of India. Você estaria no controle de uma nação com mecânicas pouco desenvolvidas (pela falta de um DLC), interagiria com outra nação que não tem todo o seu potencial aproveitado e ainda não cabe dentro do contexto do jogo.

O euro centrismo de Crusader Kings 2 é a principal pedra no caminho da Paradox para a expansão do mapa para o ocidente. Não há planos para que um jogo, que está no seu quinto ano de vida, tenha todos os sistemas reavaliados para comportar novos estilos de jogo. Por mais que os esforços da Paradox sejam louváveis, e de fato são, grande parte dos países que não estão na europa, com a exceção daqueles afetados pela expansão The Horse Lords, tipicamente tendem a ter menos eventos, menos relação entre poderes e ainda menos interação do jogador com o cenário que o cerca.

E essa interação do jogador com o ambiente é crucial em Crusader Kings 2.

Ela que cria maravilhosas, bizarras ou brutais histórias pelas quais o game é conhecido. Tramas de traição onde uma rainha decide envenenar seu marido, a invasão territorial durante as cruzadas, eventos especiais para Carlos Magno ou o alastre da peste bubônica – melhorada com a expansão The Reaper’s Due.

Jade Dragon

Não é à toa que algumas das minhas expansões favoritas ficam para ela, outras como Monks and Mystics ou até mesmo a controversa Way of Life. A temática pode soar diferente quando se pensa sobre elas; Monks and Mystics adiciona seitas, enquanto Way of Life permite que o jogador altere o foco do personagem que controla para um estilo – romance, controle financeiro, dentre outros.

Independentemente da temática, todas elas traçam um caminho similar: o estreitamento dos laços entre o jogador e o personagem. A criação de micro histórias, o ato de que uma pequena ação pode desencadear uma cadeia de eventos que te coloque em um patamar social e econômico mais elevado do que quando começou a partida.

E, por mais que de certa forma tais traços estejam presentes em Jade Dragon, eles não são proeminentes. É o ato de lidar com um poder externo, invisível. A não-presença da China no território de Crusader Kings 2 causa um distanciamento do jogador com o objeto.

Pode soar inócuo, mas a diferença entre você lidar com um “menu” e ver uma nação ser moldada a sua frente dentro de um game Grand Strategy tem um peso enorme. Sem ele, você interage com um menu dentro de um jogo cuja maior camada é justamente isso: menus.

De que adianta interagir com um menu, tentar conseguir cair nas graças do imperador da China para possivelmente receber uma ajuda em períodos de guerra? Exércitos surgem como mágica no mapa. Uma China expansionista pode ocupar a região do Tibet, guerras civis desestabilizam o País – mas o jogador só é informado via mensagens. Nenhuma mecânica realmente afeta a longo prazo uma partida de Crusader Kings 2.

É um pouco assustador quando eu olho para a expansão e penso que a minha maior felicidade foram as adições da atualização gratuito, como a inclusão de novas religiões já que possuo Rajas of India e The Old Gods, um mapa melhorado do Oriente Médio e a nova Rota da Seda, que torna a região…bem… um pouco menos insossa de se jogar.

Jade Dragon

Cheguei em um ponto que comecei a questionar se era eu que já estava enjoado de Crusader Kings 2 ou que Jade Dragon de fato, era decepcionante. Minha quarta partida na região falhava em gerar qualquer interesse pela China, pelas mecânicas, por tudo. Quanto mais prestava atenção, mais parecia uma atualização de algum programa que colocou uma aba nova e, grande parte do tempo, desnecessária. Foi então que me voltei para a Europa e tudo entrou nos eixos novamente. O Crusader Kings 2 que eu amo e que gastei tantas horas ainda estava lá, eu que olhava para o lado errado do mapa. E, pelo visto, a Paradox também tem feito isso.

Não sou dessas pessoas que tem a convicção que um jogo “já deu o que tinha que dar”, afinal, muitos jogos da minha infância continuam no meu computador e não por motivos de nostalgia. Até Darkest Hour, um clássico da Paradox, recebeu um pouco de amor nas últimas semanas. A diferença é que o game citado, baseado na engine de Hearts of Iron 2, tem o seu escopo bem delimitado. Ele sabe quando começar e quando terminar.

Já o Crusader Kings de Jade Dragon cada vez mais parece um caminhão de mudança onde o dono tenta colocar mais e mais móveis. “Vai caber tudo”, diz ele. Mas, vale a pena colocar tantos móveis ao invés de carregar o essencial? A única coisa que Jade Dragon fez para mim foi gerar mais ruído em um jogo que está repleto deles. Incluir funcionalidades para fins puramente de “estender conteúdo” é carregar peso extra. Bem que Crusader Kings 2 podia deixar alguns deles pelo caminho.

Crusader Kings 2: Jade Dragon

Total
Uma expansão que adiciona pouco ao aproveitamento geral, sobrecarrega o game com mecânicas desnecessárias e adiciona um falso senso de complexidade. Se precisasse de um argumento para a falta de necessidade do oriente em Crusader Kings 2, Jade Dragon cumpre esse papel com louvor.
Fraco

Análise – Crusader Kings 2: Jade Dragon

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Ex-colaborador da EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.

  • Achuba Nanoia

    Poxa, uma pena… como histórico amador e/ou entusiasta da Ásia nômade. estou bastante curioso sobre esta expansão. Gostei demais de “Horse Lords”, ainda mais depois the ler “Genghis: Birth of an Empire” por Conn Iggulden.Devo esperar pela próxima Steam Sale!