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Análise – Cooking Simulator 2: Better Together

Lucas Moura por Lucas Moura
21 de abril de 2026
em Análises, Slider
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Cooking Simulator 2

“Você gosta de ‘realismo’ em jogos”? Se você me fizer esta pergunta, a resposta vai variar. Em certos dias eu direi que “realismo” é um elemento essencial para eu apreciar certos gêneros; em outros, que eu descarto qualquer noção de realismo se ele atrapalhar a minha apreciação pelo jogo. A segunda resposta se encaixa muito bem na razão pela qual eu gostei tanto de “Cooking Simulator”, e também por que não consegui me conectar com “Cooking Simulator 2: Better Together” (Steam).

A trajetória do projeto da Big Cheese Studio me lembra muito a de “House Flipper 2” da Frozen District. Sequência de um jogo aclamado pelos fãs por sua irreverência e maleabilidade, ele tenta ir ainda mais fundo – seja pelos visuais ou por meio de mecânicas – e perde uma parte do que o tornava tão único. Todavia, no caso de “House Flipper 2”, ao menos a sua identidade foi mantida, infelizmente, não posso dizer o mesmo de “Cooking Simulator 2”.

Eu devia ter notado que algo havia de “errado” no tutorial do modo carreira, que, ao invés de me colocar no comando de uma cozinha tal como o seu antecessor, me levou por um longuíssimo passo a passo de como fritar batatas, depois empratá-las com maionese e levar até o cliente que aguardava ansiosamente na mesa. Não demora muito para a Big Cheese Studio apontar que a parte “nova” “Better Together” – a inclusão de um modo coop no game – não é uma opção, é um requerimento.

Atender mesas, realizar pedidos de ingredientes que você não tem ou que estão em baixa quantidade na sua dispensa, pré-aquecer fornos, fritadeiras, panelas e afins. O modo carreira não te deixa respirar por um segundo – ao menos não se você jogar sozinho. É um corre para lá e pra cá, a tal ponto que uma hora de jogo me deixou exausto. “Se fosse para ser assim, eu trabalharia em uma cozinha real”, pensei comigo mesmo.

Eu tenho completa ciência de que os parágrafos acima apontam que as minhas expectativas eram um tanto diferentes em relação ao “Cooking Simulator 2” que estava na minha cabeça, e o que ele realmente é. Tem como me “culpar” após jogar dezenas de horas do primeiro game?

Cooking Simulator 2
Eu juro que o prato parecia perfeito na hora de empratá-lo.

O primeiro “Cooking Simulator” vem de uma era de jogos muito distinta, por assim dizer; uma era que viu a ascensão de títulos como o já citado “House Flipper” e outros como “Car Mechanic Simulator”. Nenhum deles era necessariamente um simulador; eram mais uma coleção de tarefas mundanas, mas que tinham como principal atrativo a “liberdade” que você tinha para completá-las.

Claro, eu poderia muito bem seguir à risca a receita de uma salada caprese no primeiro “Cooking Simulator”, e normalmente fazia isso. Mas em outras vezes – ainda mais quando eu tinha uma grande leva de pedidos – eu tacava o dane-se e fazia da forma que eu achava mais rápido. O cliente ia gostar? Nem tanto, mas a comida ia chegar na mesa a tempo. Às vezes eu cortava as folhas grossas demais, tacava uns nacos de cebola lá e pensava “que se virem para comer”. Alguns pratos que fiz mais pareciam uma atrocidade e uma afronta ao conceito de culinária, mas me renderam boas gargalhadas.

A maior risada que eu dei em “Cooking Simulator 2” foi ver um botijão explodir; uma risada de nervoso. Uma que determinava que o meu dia tinha sido “destruído”. Eu teria que preparar três pratos de novo e provavelmente não tinha ingredientes suficientes para isso. O acidente foi culpa minha; na correria, deixei o botijão perto de um forno aberto na temperatura máxima e algo — provavelmente o ar quente do forno, o que não faz muito sentido na minha cabeça — o fez explodir. Por outro lado, também é culpa do próprio jogo em si e de como ele reestrutura os seus controles para um maior senso de “realismo”.

Pode dizer adeus à possibilidade de colocar tigelas, tábuas de corte ou qualquer objeto no lugar que bem entender. “Cooking Simulator 2: Better Together” estabelece locais “pré-demarcados” para colocar objetos. O problema? Esses locais variam de acordo com a distância que você está da bancada, qual o tamanho do objeto que você tem em mãos, e se ele possui algum alimento sobre ele.

Agora imagine a correria de uma cozinha no dia a dia de um restaurante, que fica cada vez mais cheio à medida que você expande a sua clientela, e a sua maior dor de cabeça é descobrir onde colocar a tigela de mistura de salada. Por que todos os locais que supostamente estão vazios não servem? Resultado: uma lista de pedidos cada vez mais empilhada, uma correria maior, e o fim de um expediente com uma dor de cabeça latejante. No primeiro jogo, a minha solução teria sido colocá-la no topo de uma tábua de corte e me preocupar com ela depois. O que o jogo vai fazer, chamar a vigilância sanitária? Esta mecânica, felizmente, não está presente.

Cooking Simulator 2
Novo menu dá uma ótima noção do que estava presente ou não no prato, e se o cliente ficou satisfeito.

“Cooking Simulator 2: Better Together” assume uma postura de rigidez tal que, até pra alguém dolorosamente crítico com as coisas que produz e consome como eu, chega ao ponto de exagero; de algo desnecessário. Sabe a ideia por exemplo de cortar nacos de cebola ou laranja, ou só fritar o peixe da forma que bem entender ao menos garantindo que ele não esteja cru? Esquece isso.

Por motivos que eu ainda não consigo entender, o sistema de corte livre foi trocado por um “minigame” onde você deve clicar no ritmo certo para garantir o corte preciso de batatas ou outros tipos de alimentos. O mesmo vale, por exemplo, para o sistema de implementação de pastas e molhos. Agora você não vai aprender a “dosar” o quanto de óleo ou azeite você precisa colocar, o jogo faz isso tudo por você: basta apertar o botão do mouse ou do controle na hora certa.

Eu compreendo a mudança na esfera do “realismo”. Ninguém quer ver um prato “feio” e a curva de aprendizado do sistema de corte do original era dolorosa. Por outro lado, o conceito de aprender e fazer progressivamente pratos melhores foi por água abaixo. O seu primeiro corte de batatas – provavelmente o que você vai fazer no tutorial – vai parecer “perfeito”. As batatas vão estar cortadas de forma “realista”, mas para mim não me trouxe nenhuma satisfação vê-las assim. E, para um jogo onde você vai cortar batatas por horas e mais horas, o sistema de “minigames” se torna repetitivo e entediante em pouquíssimo tempo. Um “Cooking Mama”, mas sem a excentricidade e o carisma da série da Office Create Corp.

Tentei encontrar motivos para a decisão, mas quanto mais eu explorava “Cooking Simulator 2: Better Together”, menos a decisão fazia sentido. Praticamente todos os aspectos que eu não gostei do anterior estão corrigidos ou ao menos parcialmente refinados.

Quer criar um prato novo ou alterar um que já está na lista do seu restaurante? A interface não podia ser mais intuitiva. O sistema de compras de produtos – ainda que não seja tão bem organizado quanto eu gostaria – é um salto de qualidade em comparação com o antecessor. Até a possibilidade de guardar facas ou outros objetos nos seus bolsos foi implementado, uma mecânica que eu quase implorei para que estivesse presente no primeiro game.

Cooking Simulator 2
…mas vai ser o único momento que você de fato terá uma resposta deles, pois na mesa eles agem como robôs

Tudo isso para o quê? Fazer os mesmos pratos, com o mesmo corte, seguindo a mesma “receita”, e onde qualquer desvio é garantia de punição. Me desculpe, mas onde está a diversão nisso?

Eu até teria dado uma colher de sopa se a mudança fosse para acomodar o aspecto mais “robusto” de gerenciamento e atendimento aos clientes. No entanto, a mudança gera mais trabalho e é bem menos visualmente recompensadora.

O cliente chega, pede o prato, dá três garfadas no ar, e diz se o prato está bom ou não. Sei que criar animações para todos os pratos de “Cooking Simulator 2” seria praticamente impossível, mas ao menos a Big Cheese Studio poderia ter se preocupado em passar a sensação de que você está atendendo uma pessoa de “verdade” e não um “robô” que entrou no seu restaurante.

A ausência de animações e de mais “vida” aos clientes bate de frente com a própria proposta da desenvolvedora, que criou diferentes grupos de pessoas com diferentes gostos culinários e toda uma gama de nuances que os fazem gostar mais ou menos de um prato, serem mais ou menos críticos caso uma carne tenha passado do ponto ou o empratamento não esteja lá dos melhores.

E não há como falar sobre “Cooking Simulator 2” sem mencionar as mudanças drásticas no sistema de empratamento.

Empratar pratos é um exercício frustrante e onde “Cooking Simulator 2” tem mais bugs.

Muito como o sistema de corte livre, o empratamento de “Cooking Simulator 2” saiu de um sistema baseado em física para um onde você determina onde os alimentos vão ficar. Agora, boa sorte ao posicioná-los da maneira que você acha “correto” ou te “agradar”. Rotacionar o prato é uma dor de cabeça; o pão às vezes fica para fora do prato sabe se lá o porquê, queijos não possuem diferentes cortes e acabam “escorrendo” para fora de um sanduíche ou hambúrguer.

E isso é a ponta do iceberg. O que me “quebrou” e me fez desistir de jogar a campanha de “Cooking Simulator” é a sua assustadora enormidade de bugs.

Veja bem, eu tenho o Hu3BR há 13 anos. Já vi jogos serem lançados com bugs terríveis, alguns nos quais eu sequer conseguia completar uma missão e tive que pedir ajuda dos desenvolvedores. “Cooking Simulator 2” está mais ou menos neste grau de “pavoroso” em termos de bugs.

Nada mais desmotivador do que você finalizar uma deliciosa sopa e ao empratá-la, o jogo apontar que você não colocou cebola, mesmo que cebola seja o ingrediente principal. Nessas horas eu olhei para o teto e a minha única vontade era de soltar um gritinho “ah” bem fininho e baixo para não enlouquecer. Isto porque a crítica foi produzida após a primeira grande atualização, que “supostamente” resolveria o bug. Se resolveu, não foi para mim.

Pode ser que todos os pontos que mais me geraram frustração fossem amenizados caso eu tivesse jogado “Cooking Simulator 2” em modo coop, mas isso não justifica as mudanças em tantos sistemas. Mudanças que eu vejo como, no mínimo, desnecessárias.

Lamento a quantidade de bugs, pois o sistema de pratos personalizados é um dos pontos altos da sequência.

Seriam elas decisões tomadas para acomodar um público maior? Para tentar reduzir a curva de aprendizado? Se sim, por que então criar mecânicas mais “difíceis” como grupos sociais? Eu não tenho respostas para nenhuma destas perguntas.

Acredito que a Big Cheese Studio tenha boas intenções para a franquia – afinal, que desenvolvedora não tem? Mas “Cooking Simulator 2” aponta que ela não sabe muito bem para ou como seguir em frente. Uma desenvolvedora que foi pega de surpresa pelo sucesso de seu primeiro jogo, e que agora luta para encontrar uma identidade.

Não é da minha alçada apontar que “identidade” a desenvolvedora ou a franquia “Cooking Simulator” deve abraçar daqui para frente. Mas, se for para seguir esse viés do “realismo” em áreas que não necessitam tanto dele, de abraçar a rigidez e de deixar mecânicas que eu gostava tanto para trás, é melhor eu aposentar o meu avental e deixar a cozinha.

Cooking Simulator 2: Better Together

Total - 5

5

“Cooking Simulator 2: Better Together” luta para apresentar uma proposta coesa. Ele tende demais para o “realismo” em áreas desnecessárias, remove mecânicas que vejo como “essenciais” para sua identidade para trocá-las por um sistema monótono, repetitivo e cheio de bugs. Não há melhorias no inventário, compras e implementação de receitas mais personalizáveis que o salvem, ao menos não no momento; a cozinha está em chamas e não há ninguém com um extintor. Eu que não vou ficar para ver o fogo se alastrar.

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Tags: análisebetter togethercooking simulator 2críticaindiesimulação
Lucas Moura

Lucas Moura

Após trabalhar em revistas e sites como EGW e BABOO, Lucas fundou o Hu3BR pela sua paixão em jogos de estratégia, indies e a interconexão entre sistemas e emoções humanas.

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