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Análise – Bus Bound

Lucas Moura por Lucas Moura
5 de maio de 2026
em Análises, Slider
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Bus Bound

“Por que você gosta…disso?” “Eu acho divertido, ué… que mal tem?”. Essa resposta vem acompanhada por silêncio ou uma expressão de confusão da parte de quem pergunta. Quem lê pensa que eu cometi um crime ou mostrei algo hediondo. É só a resposta padrão quando me veem jogando um “simulador de ônibus”. Nunca entendi o quão diferente ele tem de outros títulos. É pelo fato de ser um ônibus e não um carro de corrida? Claro, o subgênero tem as suas peculiaridades e sistemas mais complexos do que muitos imaginam, e o próprio conceito de dirigir um ônibus pode soar como algo “entediante”. Agora, se há um jogo que pode começar a desmistificar e remover certos pré-conceitos, é “Bus Bound” (Steam / PlayStation 5 / Xbox Series S/X).

Antes de começar a falar sobre o novo projeto da stillalive studios, é necessário contextualizar “simuladores de ônibus” no que diz respeito ao Brasil. Pode parecer que ele é um gênero jogado para escanteio, esquecido ou até mesmo ignorado. Em partes é — ao menos, pela grande mídia.

Eu não estaria exagerando ao falar que o Brasil é uma das maiores comunidades de fãs de ônibus e caminhão. Há dezenas de grupos dedicados a recriar rotas famosas de cidades como Rio, São Paulo, Fortaleza e Salvador no “Proton Bus Simulator”, assim como trajetos muito conhecidos como a descida da Serra das Araras no eixo Rio-São Paulo; projetos como o RBR vêm nos 8 últimos anos lentamente recriando o país em “Euro Truck Simulator 2”.

Bus Bound
O trajeto de abertura de “Bus Bound” já apontava para um jogo, no mínimo, belo.

Sendo assim, a maioria das pessoas que jogam – eu me incluo nesta lista – já estão acostumados com a camada extra de complexidade que o gênero tende a requerer. Seja imprimir bilhetes, trocar dinheiro, fazer as contas no final do trajeto para ver se não deu troco de mais ou de menos. Nuances que muitos podem ver como empecilhos ou partes “monótonas” e “sem graça”. É aí que entra a stillalive studios e seu “Bus Bound”.

A melhor forma de descrevê-lo é: um simulador de ônibus para aqueles que não têm o menor pingo de paciência para ônibus. Pode soar contraditório, ou até uma proposta absurda, mas funciona muito melhor do aparenta no papel.

Com quase uma década de experiência no gênero, a stillalive começou de forma similar a outras equipes, como a TML-Studio de “The Bus”, com uma tentativa de criar um jogo de ônibus mais acessível do que o que é considerado pela comunidade o Magnum Opus, OMSI 2. Pense nele como “Microsoft Flight Simulator” ou “X-Plane” dos jogos de ônibus. Um jogo que não segura a sua mão, modular até dizer “chega”, e a presença de tutoriais é considerada um “luxo” ao invés de uma necessidade.

Se “OMSI 2” está no canto mais “complexo e impenetrável” do espectro, “Bus Bound” fica na outra ponta. A stillalive pega todo o conhecimento refinado nos últimos anos de “Bus Simulator 21” para criar um jogo que destila os componentes principais de um sistema de transporte municipal para o seu essencial. Transporte passageiros, crie e edite rotas, e seja cuidadoso na hora de dirigir. E eu não consigo imaginar uma cidade melhor do que a fictícia Emberville que a desenvolvedora criou para isto.

Bus Bound
Emberville é uma belíssima cidade a qualquer momento do dia.

Onde muitas empresas apostam pesado em recriação reais de cidades como Berlim, Hamburgo e outras da Europa, Emberville de “Bus Bound” é enraizada no conceito dos Estados Unidos de transporte. Não, não aquele onde tudo deve ser privatizado e o transporte público sucateado, mas sim uma cidade com ruas largas, pontos de ônibus de “fácil acesso”, onde ruelas são raras, e os motoristas, na grande maioria, gentis. Aprender a dirigir nele é puro deleite.

Não precisei nem completar três rotas para olhar para a cidade e pensar “Esta é uma ótima cidade para quem quer aprender a jogar um simulador de ônibus”. Há desafio, mas muito dele é opcional, ou surge na forma de como você progride na cidade, já que “Bus Bound” utiliza um sistema de progressão bem atípico comparado com o restante do gênero.

Personalização de ônibus é competente, mas abaixo de outros simuladores por não permitir importar imagens.

Não existe dinheiro no universo de “Bus Bound”, somente curtidas. Quanto melhor dirigir, maior o seu multiplicador de curtidas, e mais curtidas você vai receber. Tais curtidas são o que definem a progressão. Atinja um número específico e você tem acesso a novas paradas, novas pinturas para o ônibus, e novos bairros para criar rotas.

A stillalive amarra praticamente todos os sistemas secundários à evolução das paradas de ônibus e a sua capacidade de direção. Assim que completar uma série de paradas específicas você desbloqueia melhorias para região, com terminais de ônibus interligando bairros e aumentando a quantidade de passageiros. Embora o sistema funcione muitíssimo bem, eu não nego que há uma sensação de que “Bus Bound” pisa um pouco (ou muito) em elementos de gentrificação.

Isto fica aparente durante as rotas de “comemoração” realizadas após evoluir um bairro, com passageiros que comentam como agora está “mais fácil os estudantes irem para a escola”, ou de como alguém se lembra de ir em uma sorveteria quando criança e que está feliz de que ela ainda está lá. E eu pensando comigo mesmo “Ainda está lá, mas os preços devem ter triplicado depois das reformas”. Mas, bem, falo de um jogo que alude que o interesse privado e o estatal andam de mãos dadas, o que só torna a cidade de Emberville um gigantesco conto de fadas. Não esperava uma crítica de um simulador de ônibus, mas é impossível não apontar a discrepância entre o que vi na cidade e o que vivencio em minha cidade.

Bus Bound
Vocês não tem ideia o quanto tempo eu gastei editando as minhas rotas.

Agora, se a coligação privada-estatal é um conto de fadas, os motoristas de “Bus Bound” rapidamente vão te fazer retornar à realidade. Ainda melhores em termos de evitar colisão com o seu ônibus em comparação aos outros projetos da stillalive, você pode ter certeza de que vai ter que respirar fundo muitas vezes para não querer gritar com um motorista que fura o sinal no último instante, que não coloca seta, que freia inesperadamente.

Esses são alguns dos elementos “dinâmicos” que a desenvolvedora propôs e implementou em “Bus Bound” – que também inclui obras de construção temporárias, carros que precisam de uma buzinada para que saiam da frente, ou eventuais serviços de transporte bloqueando um caminho e fazendo você pegar a faixa contrária (se possível) para se esquivar deles. Eu aprecio demais o dinamismo que a stillalive criou para o game, mas, por outro lado, muitos desses aspectos são um ligeiro regresso se comparado a “Bus Simulator 21”.

O trânsito, por exemplo, flui muito melhor tanto quando comparado a ele quanto a “The Bus” — e o quanto menos eu falar sobre o de “OMSI 2”, melhor — mas por outro lado você raramente vai pegar congestionamentos ou um motorista parando no meio do cruzamento. É como se, fora os eventos citados acima, todos os motoristas fossem extremamente conscientes das leis de trânsito e não cometessem um minúsculo erro.

Mesmo que me irritasse — e me irritava bastante com o trânsito de “Bus Simulator 21” — ele era muito mais próximo de uma cidade de médio a grande porte. Já atrasei meu itinerário por conta de outro ônibus que fazia uma rota alternativa, mas parava no mesmo ponto. Enfiava a mão na buzina até ele sair, e nem sempre funcionava. Em “Bus Bound”? Eu sequer vejo outro ônibus; é como se eu fosse a única companhia de ônibus da cidade inteira, realizando as únicas rotas. Olha, se uma cidade dependesse de uma única empresa com único motorista, eles estariam ferrados.

Eu não sei se quero saber o que aconteceu para sair tanta fumaça do veículo.

Por outro lado, eu compreendo a decisão da stillalive de reduzir a fricção ao máximo no que diz respeito ao trânsito e motoristas menos cautelosos em “Bus Bound”. O sistema de progressão já é um desafio por si só para quem não é experiente no gênero.

Você vai precisar editar as suas linhas para melhor acomodar os passageiros e ganhar “curtidas”, criar linhas que ligam pontos cruciais e diferentes horários. Linhas que passam pela região residencial e terminam em escolas são muitíssimo requisitadas durante a manhã, enquanto as que vão para os bairros mais “badalados” da cidade são praticamente essenciais para manter a vida noturna ativa. As novas mecânicas de edição usadas pela desenvolvedora são fantásticas e intuitivas – outro salto que ela fez em relação a “Bus Simulator 21”.

O mesmo salto pode ser observado no controle dos ônibus. Já adianto que “Bus Bound” não é o mais realista — com certos tipos de ônibus que têm uma resposta muito mais “rápida” à frenagem em comparação ao tamanho deles; como tantas vezes apontei, não é a proposta dele. Porém, aprender os pontos fortes e fracos de cada veículo disponível é delicioso e recompensador. E, pela primeira vez na história da desenvolvedora, ela criou controles agradabilíssimos, seja para quem vai jogar no mouse / teclado, no controle, ou aqueles que já separaram o volante para jogar.

Assim como as minhas “paradas” longe do meio fio, nem tudo é fantástico em “Bus Bound”, mas com certeza estamos dando o nosso melhor.

A combinações dessas melhorias foi o que me fez começar a falar “tá bom, só mais uma rota e eu paro”, e aí foi uma, duas, três, liberei um novo bairro, ampliei ele, desbloqueei novas paradas de ônibus, aperfeiçoei como posicionar certos ônibus em locais mais “movimentados”, reajustei rotas e vi a noite se transformar em dia. Ao menos não bati em nenhum carro, com tamanho sono que eu estava depois de tantas horas dirigindo um ônibus virtual.

Esse é o triunfo, para mim, de “Bus Bound”: gerar essa vontade de continuar dirigindo sem ter que me preocupar se estou com todos os meus mods atualizados, se eu coloquei o número da rota correto, se eu vendi os tíquetes e por aí vai.

Por mais que haja concessões pontuadas anteriormente, e acrescento outras como a personalização limitada de ônibus e poucos modificadores de dificuldade — sendo a ausência da opção remover toda a interface, e ser obrigado a abrir e fechar as portas pelo painel do ônibus sendo as mais frustrantes — “Bus Bound” coloca o gênero em uma posição no qual muitas desenvolvedoras tentaram, e falharam: É um jogo para todo mundo e não um bicho de sete cabeças que vai fazer pessoas te olharem “estranho” por gostar de um jogo de ônibus.

Eu não o vejo substituindo as minhas partidas de “Bus Simulator 21”, muito menos as dezenas de mapas e mods que tenho instalado tanto para “Proton Bus Simulator” como para “OMSI 2”. Mas, se você nunca jogou o gênero e sempre teve interesse, eu não consigo imaginar uma melhor opção para começar do que “Bus Bound”. Quem sabe, com ele, frases como a que eu usei para começar esta crítica se tornem cada vez mais raras.

Bus Bound

Total - 9

9

Bus Bound” é o melhor simulador de ônibus para quem nunca explorou o gênero, graças ao seu controle simples, seu sistema de progressão, e o dinamismo simples mas eficaz do dia a dia da cidade de Emberville criada pela stillalive. Os que estão calejados de “OMSI 2” ou similares vão encontrar pouco desafio, mas ainda assim é uma excelente distração para dias em que você não quer lidar com trajetos complexos. Só não jogue demais e durma no volante.

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Tags: análisebus boundônibussimulaçãosimuladorsimulador de ônibus
Lucas Moura

Lucas Moura

Após trabalhar em revistas e sites como EGW e BABOO, Lucas fundou o Hu3BR pela sua paixão em jogos de estratégia, indies e a interconexão entre sistemas e emoções humanas.

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