Após lançarmos a nossa review sobre Proteus na terça-feira (19), hoje temos uma entrevista com Ed Key, um dos desenvolvedores por trás deste tão enigmático jogo indie. Ele pode ser comprado tanto de seu site oficial quanto por meio do Steam, confira a entrevista abaixo.

  •  Enquanto jogava Proteus, não só me senti extremamente relaxado como de certa forma conectado aquela ilha, aquele mundo. O que você espera que as pessoas sintam ao jogá-lo?

Bem, estou feliz com isto! Creio que esta conexão contemplativa com o mundo era uma das coisas mais importantes enquanto desenvolvíamos e o estado de relaxamento é um bom efeito colateral. Parece que sem querer criamos algo bem terapêutico!

Uma das coisas mais fascinantes para mim sobre a reação que o Proteus tem causado nas pessoas são as diferentes emoções que são atribuídas a ele. Algumas pessoas o consideram amedrontador, enquanto outras extremamente relaxante. Espero que há um elemento de melancolia dentro, mas depende de como você o interpreta e se nota certas coisas.

  • Mais ou menos relacionado a primeira questão, Proteus é a reflexão de algo sobre você?

Sim, apesar de não poder falar que o jogo todo ser uma reflexão de minha personalidade ou experiência pois há uma mistura de influencias pessoais tanto de mim quanto David Kanaga.

Da minha parte, existem muitos fragmentos de locais onde vivi ou visitei e que de certa forma tiveram influência em mim. Neste sentido, a ilha em si é uma mistura de lugares para formar algo que nunca existiu.

Um dos princípios relacionados a isto é que eu queria capturar a sensação de quando andava em ruínas pré-históricas. De forma que você tem de criar uma certa “história” para que elas façam sentido.

As pessoas que criaram estas ruínas não deixaram texto algum a não ser suas crenças e tradições que as fizeram construir tais coisas, como os círculos de pedra (tipicamente vistos na Inglaterra). Nós só podemos imaginar porque os construíram e temos pouca informação para confirmar as histórias que criamos sobre eles.

Proteus

  • Você crê que é melhor criar uma experiência para o jogador ou deixar que ele crie a sua própria?

Você tem de fazer ambos! Digo, Proteus foi claramente uma experiência criada, mas eu entendo o que você quis dizer: O jogador conta a sua história sobre como eles fizeram a sua jornada por meio desta “ Framework” que os designers criaram para ele.

Para mim, isto é muito importante. É fantástico poder contar a alguém a sua história com um jogo que é totalmente diferente de a de outra pessoa. Eu notei isso recentemente e é algo que eu vou tentar trabalhar em todos os jogos que desenvolver, mesmo se forem em direções diferentes que a de Proteus.

  • Os jogos estão sempre evoluindo, o que você espera para os próximos anos?

Eu só espero que eu continuem a me surpreender e me encantar com as coisas que as pessoas criam. 2012 foi um ano sensacional e diversificado para mim. Como um fã old school, eu amei o novo XCOM e para algo completamente diferente ainda jogo o VESPER 5, desenvolvido por Michael Brough.

Mesmo se vermos mais jogos sendo desenvolvidos com a monetização entrelaçado às suas mecânicas de jogo mais do que deveria, creio que isto será apenas uma parte do futuro dos jogos.

  • O que significa ser um desenvolvedor de jogos para você?

Para mim significa continuar “pequeno” e demonstrando as coisas que quero demonstrar sem a sensação de ter que garantir um número elevado de vendas ou assinar contratos com distribuidoras que possam adicionar uma forma de pressão comercial. Tirando isto, fazer parte da evolução constante do formato é importante.

Prefiro tentar minha sorte com coisas novas ou estranhas do que desenvolver jogos que são garantia segura de sucesso.

Proteus

  • Sei que é cedo para perguntar isto, mas agora que Proteus está completo, algum projeto que podemos aguardar vindo de você?

Definitivamente cedo demais para falarmos sobre, mas eu quero fazer ainda mais um jogo sobre exploração e descobertas. Existem algumas ideias que não se encaixavam com a proposta de Proteus que ainda são importantes pra mim.

Neste caso será algo mais tradicionalmente desafiador e com mais mecânicas. Eu gosto da ideia de ter de procurar abrigo e comida, enquanto sente-se que:

A)    O mundo não liga para você

B)    Que tem de seguir as suas regras

Eu também quero fazer um jogo similar ao XCOM no estilo RPG, mas creio que isso ainda terá de esperar um tempo.

Entrevista: Proteus

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- Colaborador para a EGW e redator para o BABOO. Tento constantemente entender sistemas e relacioná-los às emoções e reações que sentimos nos jogos.